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Apêndice 5g: Trabalho e o Sábado — Enfrentando os Desafios do Mundo Real

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Esta página faz parte da série sobre o quarto mandamento: O Sábado:

  1. Apêndice 5a: O Sábado e o Dia de Ir à Igreja, Duas Coisas Diferentes
  2. Apêndice 5b: Como Guardar o Sábado nos Tempos Modernos
  3. Apêndice 5c : Aplicando os Princípios do Sábado na Vida Diária
  4. Apêndice 5d: Alimentação no Sábado — Orientação Prática
  5. Apêndice 5e: Transporte no Sábado
  6. Apêndice 5f: Tecnologia e Entretenimento no Sábado
  7. Apêndice 5g: Trabalho e o Sábado — Enfrentando os Desafios do Mundo Real (Página atual).

Por Que o Trabalho É o Maior Desafio

Para a maioria dos cristãos, o maior obstáculo para guardar o Sábado é o emprego. Alimentação, transporte e tecnologia podem ser ajustados com preparação, mas os compromissos de trabalho atingem o núcleo do sustento e da identidade de uma pessoa. No antigo Israel isso raramente era um problema porque a nação inteira parava no Sábado; comércios, tribunais e mercados estavam fechados por padrão. A quebra do Sábado em nível comunitário era incomum e muitas vezes ligada a períodos de desobediência nacional ou exílio (veja Neemias 13:15-22). Hoje, porém, a maioria de nós vive em sociedades onde o sétimo dia é um dia normal de trabalho, tornando este o mandamento mais difícil de aplicar.

Do Princípio à Prática

Ao longo desta série enfatizamos que o mandamento do Sábado faz parte da Lei santa e eterna de Deus, não é uma regra isolada. Os mesmos princípios de preparação, santidade e necessidade se aplicam aqui, mas as consequências são maiores. Escolher guardar o Sábado pode afetar renda, caminhos profissionais ou modelos de negócio. No entanto, as Escrituras apresentam consistentemente a guarda do Sábado como um teste de lealdade e confiança na provisão de Deus — uma oportunidade semanal para mostrar onde está nossa lealdade final.

Quatro Situações Comuns de Trabalho

Neste artigo vamos considerar quatro categorias principais onde surgem conflitos com o Sábado:

  1. Emprego Regular — trabalhar para outra pessoa no varejo, manufatura ou empregos similares.
  2. Trabalho Autônomo — administrar sua própria loja ou negócio em casa.
  3. Profissionais de Emergência e Saúde — policiais, bombeiros, médicos, enfermeiros, cuidadores e funções semelhantes.
  4. Serviço Militar — tanto serviço obrigatório como carreira militar.

Cada situação exige discernimento, preparação e coragem, mas o fundamento bíblico é o mesmo: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o Sábado do SENHOR teu Deus” (Êxodo 20:9-10).

Emprego Regular

Para cristãos em empregos regulares — varejo, manufatura, serviços ou similares — o maior desafio é que os horários de trabalho geralmente são definidos por outra pessoa. No antigo Israel esse problema praticamente não existia porque a nação inteira guardava o Sábado, mas nas economias modernas o sábado é frequentemente um dia de pico. O primeiro passo para quem guarda o Sábado é tornar suas convicções conhecidas cedo e fazer todo o possível para organizar a semana de trabalho em torno do Sábado.

Se você está procurando um novo emprego, mencione sua observância do Sábado na fase de entrevista e não no currículo. Isso evita ser descartado antes de ter a chance de explicar seu compromisso e também lhe dá oportunidade de destacar sua flexibilidade para trabalhar em outros dias. Muitos empregadores valorizam funcionários dispostos a trabalhar aos domingos ou em turnos menos desejáveis em troca de ter os sábados livres. Se você já está empregado, peça com respeito para ser dispensado das horas do Sábado, oferecendo ajustar seu horário, trabalhar em feriados ou compensar horas em outros dias.

Aborde seu empregador com honestidade e humildade, mas também firmeza. O Sábado não é uma preferência, mas um mandamento. Os empregadores têm mais probabilidade de atender a um pedido claro e respeitoso do que a um vago ou hesitante. Lembre-se de que a preparação durante a semana é sua responsabilidade — termine projetos com antecedência, deixe seu espaço de trabalho organizado e garanta que sua ausência no Sábado não sobrecarregue os colegas. Ao demonstrar integridade e confiabilidade, você fortalece seu argumento e mostra que guardar o Sábado produz — e não atrapalha — um trabalhador melhor.

Se seu empregador se recusar absolutamente a ajustar seu horário, ore e considere suas opções. Alguns guardadores do Sábado aceitaram redução de salário, mudaram de departamento ou até trocaram de carreira para obedecer ao mandamento de Deus. Embora tais decisões sejam difíceis, o Sábado foi projetado como um teste semanal de fé, confiando que a provisão de Deus é maior do que aquilo que você perde ao obedecê-Lo.

Trabalho Autônomo

Para aqueles que são autônomos — administrando um negócio em casa, prestando serviços freelancers ou uma loja física — o teste do Sábado é diferente, mas igualmente real. Em vez de um empregador definir suas horas, é você quem define, o que significa que deve intencionalmente fechar durante as horas sagradas. No antigo Israel, os comerciantes que tentavam vender no Sábado eram repreendidos (Neemias 13:15-22). O princípio ainda se aplica hoje: mesmo que os clientes esperem seus serviços no fim de semana, Deus espera que você santifique o sétimo dia.

Se você está planejando abrir um negócio, pense cuidadosamente em como isso afetará sua capacidade de guardar o Sábado. Alguns setores facilitam o fechamento no sétimo dia; outros dependem de vendas ou prazos nos fins de semana. Escolha um negócio que permita a você e seus funcionários manter o Sábado livre de trabalho. Inclua o fechamento sabático no seu plano de negócios e comunicações com clientes desde o início. Ao estabelecer expectativas cedo, você treina seus clientes a respeitarem seus limites.

Se seu negócio já funciona no Sábado, você deve fazer as mudanças necessárias para fechar no dia santo — mesmo que isso custe receita. As Escrituras alertam que lucrar com trabalho no Sábado mina a obediência tanto quanto fazer o trabalho você mesmo. Parcerias podem complicar essa questão: mesmo que um sócio incrédulo administre o negócio no Sábado, você ainda lucra com esse trabalho, e Deus não aceita esse arranjo. Para honrar a Deus, um guardador do Sábado deve se afastar de qualquer sistema em que sua renda dependa do trabalho no Sábado.

Embora essas decisões possam ser custosas, elas também criam um testemunho poderoso. Clientes e colegas verão sua integridade e consistência. Ao fechar seu negócio no Sábado, você proclama por meio de suas ações que sua confiança final está na provisão de Deus e não na produção constante.

Profissionais de Emergência e Saúde

Há um equívoco generalizado de que trabalhar como profissional de emergência ou na área de saúde é automaticamente permitido no Sábado. Essa ideia geralmente vem do fato de que Jesus curou pessoas no Sábado (veja Mateus 12:9-13; Marcos 3:1-5; Lucas 13:10-17). Mas um olhar mais atento mostra que Jesus não saía de casa no Sábado com a intenção de administrar uma “clínica de cura”. Suas curas eram atos espontâneos de misericórdia, não um padrão de carreira com trabalho agendado. Nunca houve um caso de Jesus receber pagamento pelas curas. Seu exemplo nos ensina a ajudar quem está em necessidade genuína mesmo no Sábado, mas não cancela o quarto mandamento nem torna o trabalho em saúde e emergência uma exceção permanente.

No mundo moderno raramente falta pessoal que não guarda o Sábado para ocupar esses cargos. Hospitais, clínicas e serviços de emergência funcionam 24/7, em grande parte com pessoas que não guardam o Sábado. Essa abundância remove a justificativa para um filho de Deus aceitar conscientemente um trabalho que exija labor regular no Sábado. Mesmo que pareça nobre, nenhuma vocação — mesmo uma centrada em ajudar pessoas — supera o mandamento de Deus de descansar no sétimo dia. Não podemos afirmar: “Servir pessoas é mais importante para Deus do que guardar Sua Lei”, quando o próprio Deus definiu santidade e descanso para nós.

Isso não significa que um guardador do Sábado nunca possa agir para salvar vidas ou aliviar sofrimento no Sábado. Como Jesus ensinou: “É lícito fazer o bem no Sábado” (Mateus 12:12). Se surgir uma emergência inesperada — um acidente, um vizinho doente ou uma crise em sua própria casa — você deve agir para proteger a vida e a saúde. Mas isso é muito diferente de aceitar um cargo fixo que o obrigue a trabalhar todos os Sábados. Em casos raros onde nenhuma outra pessoa está disponível, você pode se ver cobrindo temporariamente uma necessidade crítica, mas tais situações devem ser exceções, não normas, e você deve evitar cobrar por seus serviços nessas horas.

O princípio orientador é distinguir entre atos espontâneos de misericórdia e emprego regular. A misericórdia se alinha ao espírito do Sábado; trabalho pré-planejado e voltado ao lucro o enfraquece. Tanto quanto possível, cristãos na área de saúde ou emergência devem negociar escalas que respeitem o Sábado, buscar funções ou turnos que não violem o mandamento e confiar na provisão de Deus ao fazer isso.

Serviço Militar

O serviço militar apresenta um desafio único para os guardadores do Sábado porque frequentemente envolve dever obrigatório sob autoridade governamental. As Escrituras fornecem exemplos do povo de Deus enfrentando essa tensão. O exército israelita, por exemplo, marchou por sete dias ao redor de Jericó, o que significa que não descansaram no sétimo dia (Josué 6:1-5), e Neemias descreve guardas postados nos portões da cidade no Sábado para proteger sua santidade (Neemias 13:15-22). Esses exemplos mostram que, em tempos de defesa nacional ou crise, os deveres podem se estender ao Sábado — mas também destacam que tais situações eram exceções ligadas à sobrevivência coletiva, não a escolhas pessoais de carreira.

Para aqueles que são conscriptos, o ambiente não é voluntário. Você é colocado sob ordens, e sua capacidade de escolher seu horário é extremamente limitada. Nesse caso, um guardador do Sábado ainda deve fazer pedidos respeitosos aos superiores para ser dispensado do serviço no Sábado sempre que possível, explicando que o Sábado é uma convicção profundamente enraizada. Mesmo que o pedido não seja atendido, só de fazer o esforço honra a Deus e pode levar a um favor inesperado. Acima de tudo, mantenha uma atitude humilde e um testemunho consistente.

Para aqueles que consideram uma carreira militar, a situação é diferente. Uma posição de carreira é uma escolha pessoal, como qualquer outra profissão. Aceitar um cargo que você sabe que exigirá violar regularmente o Sábado é incompatível com o mandamento de mantê-lo santo. Assim como em outros campos, o princípio orientador é buscar funções ou posições onde sua observância do Sábado possa ser respeitada. Se em uma área guardar o Sábado não é possível, ore e considere outro caminho profissional, confiando que Deus abrirá portas em outras direções.

Em ambos os casos — conscrito ou voluntário — a chave é honrar a Deus onde quer que você esteja. Guarde o Sábado ao máximo possível sem rebeldia, mostrando respeito pela autoridade enquanto vive silenciosamente suas convicções. Ao fazer isso, você demonstra que sua lealdade à Lei de Deus não é condicional à conveniência, mas enraizada na fidelidade.

Conclusão: Vivendo o Sábado Como um Estilo de Vida

Com este artigo concluímos nossa série sobre o Sábado. Desde seus fundamentos na criação até sua expressão prática em alimentação, transporte, tecnologia e trabalho, vimos que o quarto mandamento não é uma regra isolada, mas um ritmo vivo tecido na Lei eterna de Deus. Guardar o Sábado é mais do que evitar certas atividades; trata-se de preparar com antecedência, cessar do labor comum e santificar tempo para Deus. Trata-se de aprender a confiar em Sua provisão, moldar sua semana em torno de Suas prioridades e refletir Seu descanso em um mundo inquieto.

Não importa suas circunstâncias — se você é empregado, autônomo, cuida da família ou serve em um ambiente complexo — o Sábado continua sendo um convite semanal para sair do ciclo de produção e entrar na liberdade da presença de Deus. Ao aplicar esses princípios, você descobrirá que o Sábado não é um fardo, mas um deleite, um sinal de lealdade e uma fonte de força. Ele treina seu coração a confiar em Deus não apenas um dia por semana, mas todos os dias e em todas as áreas da vida.


Apêndice 5f: Tecnologia e Entretenimento no Sábado

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Esta página faz parte da série sobre o quarto mandamento: O Sábado:

  1. Apêndice 5a: O Sábado e o Dia de Ir à Igreja, Duas Coisas Diferentes
  2. Apêndice 5b: Como Guardar o Sábado nos Tempos Modernos
  3. Apêndice 5c : Aplicando os Princípios do Sábado na Vida Diária
  4. Apêndice 5d: Alimentação no Sábado — Orientação Prática
  5. Apêndice 5e: Transporte no Sábado
  6. Apêndice 5f: Tecnologia e Entretenimento no Sábado (Página atual).
  7. Apêndice 5g: Trabalho e o Sábado — Enfrentando os Desafios do Mundo Real

Por Que Tecnologia e Entretenimento Importam

A questão da tecnologia no Sábado está principalmente ligada ao entretenimento. Quando um cristão começa a guardar o Sábado, um dos primeiros desafios é decidir o que fazer com todo o tempo livre que naturalmente se abre. Aqueles que frequentam igrejas ou grupos que guardam o Sábado podem preencher parte desse tempo com atividades organizadas, mas mesmo eles acabam enfrentando momentos em que parece “não há nada para fazer”. Isso é especialmente verdadeiro para crianças, adolescentes e jovens adultos, mas até mesmo adultos mais velhos podem ter dificuldade com esse novo ritmo de tempo.

Outro motivo pelo qual a tecnologia é tão desafiadora é a pressão para permanecer conectado nos dias de hoje. O fluxo constante de notícias, mensagens e atualizações é um fenômeno recente, possibilitado pela internet e pela proliferação de dispositivos pessoais. Quebrar esse hábito exige disposição e esforço. Mas o Sábado oferece a oportunidade perfeita para isso — um convite semanal para desconectar-se das distrações digitais e reconectar-se com o Criador.

Esse princípio não se limita apenas ao Sábado; todos os dias um filho de Deus deve estar atento à armadilha da conexão e distração constantes. Os Salmos estão cheios de encorajamentos para meditar em Deus e em Sua Lei dia e noite (Salmo 1:2; Salmo 92:2; Salmo 119:97-99; Salmo 119:148), prometendo alegria, estabilidade e vida eterna para aqueles que o fazem. A diferença no sétimo dia é que o próprio Deus descansou e nos ordenou imitá-Lo (Êxodo 20:11) — fazendo deste o único dia a cada semana em que desconectar-se do mundo secular não é apenas útil, mas divinamente designado.

Assistir Esportes e Entretenimento Secular

O Sábado é separado como um tempo santo, e nossas mentes devem estar voltadas para coisas que reflitam essa santidade. Por esse motivo, assistir a esportes, filmes seculares ou séries de entretenimento não deve ser feito no Sábado. Esse tipo de conteúdo é desconectado do benefício espiritual que o dia deve trazer. As Escrituras nos chamam: “Sereis santos, porque eu sou santo” (Levítico 11:44-45; repetido em 1 Pedro 1:16), lembrando-nos de que santidade envolve separação do que é comum. O Sábado oferece uma oportunidade semanal para desviar nossa atenção das distrações do mundo e preenchê-lo com adoração, descanso, conversas edificantes e atividades que refrescam a alma e honram a Deus.

Praticar Esportes e Exercícios Físicos no Sábado

Assim como assistir a esportes seculares direciona nossa atenção para competição e entretenimento, participar ativamente de esportes ou rotinas de exercícios físicos no Sábado também tira o foco do descanso e da santidade. Ir à academia, treinar para metas atléticas ou jogar esportes pertence ao ritmo comum dos dias úteis do nosso trabalho e autoaperfeiçoamento. Na verdade, o exercício físico por sua própria natureza contrasta com o chamado do Sábado para cessar do esforço e abraçar o verdadeiro descanso. O Sábado nos convida a deixar de lado até mesmo nossas buscas pessoais por desempenho e disciplina para que possamos encontrar refrigério em Deus. Ao nos afastarmos de treinos, práticas ou partidas, honramos o dia como sagrado e abrimos espaço para renovação espiritual.

Atividades Físicas Compatíveis com o Sábado

Isso não significa que o Sábado deva ser passado em ambientes fechados ou na inatividade. Caminhadas leves e tranquilas ao ar livre, tempo sem pressa na natureza ou brincadeiras suaves com crianças podem ser uma forma bonita de honrar o dia. Atividades que restauram em vez de competir, que aprofundam relacionamentos em vez de distrair e que direcionam nossa atenção para a criação de Deus em vez das conquistas humanas, todas se harmonizam com o espírito de descanso e santidade do Sábado.

Boas Práticas para Tecnologia no Sábado

  • O ideal é que toda conexão desnecessária com o mundo secular pare durante o Sábado. Isso não significa que nos tornemos rígidos ou sem alegria, mas que nos afastemos deliberadamente do ruído digital para honrar o dia como santo.
  • As crianças não devem depender de dispositivos conectados à internet para preencher suas horas do Sábado. Em vez disso, incentive atividades físicas, livros ou mídias dedicadas a conteúdos santos e edificantes. É aqui que uma comunidade de cristãos é especialmente útil, pois oferece outras crianças para brincar e atividades saudáveis para compartilhar.
  • Os adolescentes devem ter maturidade suficiente para entender a diferença entre o Sábado e os outros dias no que se refere à tecnologia. Os pais podem guiá-los preparando atividades com antecedência e explicando o “porquê” dessas limitações.
  • O acesso a notícias e atualizações seculares deve ser eliminado no Sábado. Ver manchetes ou rolar redes sociais pode rapidamente trazer a mente de volta às preocupações dos dias de semana e quebrar a atmosfera de descanso e santidade.
  • Planeje com antecedência: baixe materiais necessários, imprima guias de estudo bíblico ou deixe conteúdo apropriado pronto antes do pôr do sol para não precisar procurar durante as horas do Sábado.
  • Coloque os dispositivos de lado: desligue notificações, use o modo avião ou coloque os aparelhos em uma cesta designada durante as horas do Sábado para sinalizar a mudança de foco.
  • O objetivo não é demonizar a tecnologia, mas usá-la de forma apropriada neste dia especial. Pergunte a si mesmo a mesma questão que introduzimos antes: “Isso é necessário hoje?” e “Isso me ajuda a descansar e honrar a Deus?” Com o tempo, praticar esses hábitos ajudará você e sua família a experimentar o Sábado como um deleite em vez de uma luta.


Apêndice 5e: Transporte no Sábado

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Esta página faz parte da série sobre o quarto mandamento: O Sábado:

  1. Apêndice 5a: O Sábado e o Dia de Ir à Igreja, Duas Coisas Diferentes
  2. Apêndice 5b: Como Guardar o Sábado nos Tempos Modernos
  3. Apêndice 5c : Aplicando os Princípios do Sábado na Vida Diária
  4. Apêndice 5d: Alimentação no Sábado — Orientação Prática
  5. Apêndice 5e: Transporte no Sábado (Página atual).
  6. Apêndice 5f: Tecnologia e Entretenimento no Sábado
  7. Apêndice 5g: Trabalho e o Sábado — Enfrentando os Desafios do Mundo Real

No artigo anterior exploramos a alimentação no Sábado — como a preparação, o planejamento e a Regra da Necessidade podem transformar uma potencial fonte de estresse em um tempo de paz. Agora voltamo-nos para outra área da vida moderna onde esses mesmos princípios são urgentemente necessários: o transporte. No mundo de hoje, carros, ônibus, aviões e aplicativos de carona tornam as viagens fáceis e convenientes. Ainda assim, o quarto mandamento nos chama a pausar, planejar e cessar do trabalho comum. Entender como isso se aplica às viagens pode ajudar os cristãos a evitar trabalho desnecessário, proteger a santidade do dia e manter seu verdadeiro espírito de descanso.

Por que o Transporte Importa

O transporte não é um problema novo. Nos tempos antigos, viajar estava ligado ao trabalho — transportar mercadorias, cuidar de animais ou ir ao mercado. O judaísmo rabínico desenvolveu regras detalhadas sobre distâncias de viagem no Sábado, razão pela qual muitos judeus observantes historicamente moravam perto das sinagogas para poder caminhar até os cultos. Hoje, os cristãos enfrentam questões semelhantes sobre viajar para a igreja no Sábado, visitar familiares, participar de estudos bíblicos ou realizar atos de misericórdia, como visitas a hospitais ou prisões. Este artigo o ajudará a entender como os princípios bíblicos de preparação e necessidade se aplicam às viagens, permitindo que você tome decisões sábias e cheias de fé sobre quando e como viajar no Sábado.

O Sábado e a Frequência à Igreja

Uma das razões mais comuns pelas quais os cristãos viajam no Sábado é para participar dos cultos da igreja. Isso é compreensível — reunir-se com outros cristãos para adorar e estudar pode ser edificante. Ainda assim, é importante lembrar o que estabelecemos no artigo 5A desta série: ir à igreja no Sábado não não faz parte do quarto mandamento (Ler artigo). O mandamento é cessar do trabalho, guardar o dia santo e descansar. Nada no texto diz: “Irás a um culto” ou “Viajarás a um local específico de adoração” no Sábado.

O próprio Jesus frequentou a sinagoga no Sábado (Lucas 4:16), mas Ele nunca ensinou isso como um requisito para Seus seguidores. Sua prática mostra que reunir-se é permitido e pode ser benéfico, mas não estabelece uma regra ou ritual. O Sábado foi feito para o homem, e não o homem para o Sábado (Marcos 2:27), e seu núcleo é descanso e santidade, não viagem ou frequência a uma instituição.

Para os cristãos modernos, isso significa que frequentar uma igreja que guarda o Sábado é opcional, não obrigatório. Se você encontra alegria e crescimento espiritual ao se reunir com outros cristãos no sétimo dia, você é livre para fazê-lo. Se viajar até uma igreja gera estresse, quebra o ritmo do descanso ou o força a dirigir longas distâncias toda semana, você é igualmente livre para ficar em casa, estudar as Escrituras, orar e passar o dia com a família. O essencial é evitar transformar a viagem à igreja em uma rotina automática que comprometa o descanso e a santidade que você está buscando preservar.

Sempre que possível, planeje com antecedência para que se você for a um culto, isso exija o mínimo de viagem e preparação. Isso pode significar participar de uma congregação mais próxima, organizar um estudo bíblico em casa ou conectar-se com outros cristãos em horários fora do Sábado. Ao manter seu foco na santidade e no descanso, em vez da tradição ou expectativa, você alinha sua prática sabática com o mandamento de Deus em vez de exigências humanas.

Orientação Geral sobre Viagens

Os mesmos princípios do Dia de Preparação e da Regra da Necessidade aplicam-se diretamente ao transporte. Em geral, viagens no Sábado devem ser evitadas ou minimizadas, especialmente para longas distâncias. O quarto mandamento nos chama a parar nosso trabalho comum e permitir que outros sob nossa influência façam o mesmo. Quando transformamos em hábito viajar longe todo Sábado, corremos o risco de transformar o dia de descanso de Deus em mais um dia de estresse, fadiga e planejamento logístico.

Ao viajar longas distâncias, planeje com antecedência para que sua viagem seja concluída antes do início do Sábado e após o seu término. Por exemplo, se estiver visitando familiares que moram longe, tente chegar antes do pôr do sol de sexta-feira e partir após o pôr do sol de sábado. Isso cria uma atmosfera pacífica e evita correria ou preparativos de última hora. Se você sabe que precisará viajar por um motivo legítimo durante o Sábado, prepare seu veículo com antecedência — abasteça, faça manutenção e planeje a rota antes.

Ao mesmo tempo, as Escrituras mostram que atos de misericórdia são permitidos no Sábado (Mateus 12:11-12). Visitar alguém no hospital, consolar os enfermos ou ministrar aos encarcerados pode exigir viagens. Nesses casos, mantenha a viagem o mais simples possível, evite transformá-la em um passeio social e permaneça atento às horas sagradas do Sábado. Ao tratar as viagens como exceção e não regra, você preserva a santidade e o descanso do Sábado.

Veículos Pessoais vs. Transporte Público

Dirigindo Veículos Pessoais

Usar seu próprio carro ou motocicleta no Sábado não é inerentemente proibido. Na verdade, pode ser necessário para pequenas viagens para visitar a família, participar de um estudo bíblico ou realizar atos de misericórdia. No entanto, deve-se ter cautela. Dirigir sempre carrega o risco de panes ou acidentes que podem forçá-lo — ou outros — a realizar trabalhos que poderiam ter sido evitados. Além disso, abastecimento, manutenção e viagens longas aumentam o estresse e o trabalho típicos dos dias úteis. Sempre que possível, mantenha as viagens de veículo pessoal curtas, prepare seu carro com antecedência (combustível e manutenção) e planeje suas rotas para minimizar a interrupção das horas sagradas.

Táxis e Serviços de Carona

Por outro lado, serviços como Uber, Lyft e táxis envolvem contratar alguém para trabalhar exclusivamente para você no Sábado, o que viola a proibição do quarto mandamento de fazer outros trabalharem em seu favor (Êxodo 20:10). Isso é semelhante ao uso de serviços de entrega de comida. Mesmo que pareça um pequeno ou ocasional agrado, isso enfraquece o propósito do Sábado e envia sinais contraditórios sobre suas convicções. O padrão bíblico consistente é planejar com antecedência para não precisar colocar outra pessoa para trabalhar para você durante as horas sagradas.

Transporte Público

Ônibus, trens e balsas diferem de táxis e serviços de carona porque operam em horários fixos, independentes do seu uso. O uso do transporte público no Sábado pode, portanto, ser permitido, especialmente se permitir que você participe de uma reunião de cristãos ou realize um ato de misericórdia sem dirigir. Sempre que possível, compre passagens ou bilhetes com antecedência para evitar lidar com dinheiro no Sábado. Mantenha as viagens simples, evite paradas desnecessárias e mantenha uma mentalidade reverente enquanto viaja para preservar a santidade do dia.



Apêndice 5d: Alimentação no Sábado — Orientação Prática

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Esta página faz parte da série sobre o quarto mandamento: O Sábado:

  1. Apêndice 5a: O Sábado e o Dia de Ir à Igreja, Duas Coisas Diferentes
  2. Apêndice 5b: Como Guardar o Sábado nos Tempos Modernos
  3. Apêndice 5c : Aplicando os Princípios do Sábado na Vida Diária
  4. Apêndice 5d: Alimentação no Sábado — Orientação Prática (Página atual).
  5. Apêndice 5e: Transporte no Sábado
  6. Apêndice 5f: Tecnologia e Entretenimento no Sábado
  7. Apêndice 5g: Trabalho e o Sábado — Enfrentando os Desafios do Mundo Real

No artigo anterior apresentamos dois hábitos orientadores para guardar o Sábado — preparar-se com antecedência e pausar para perguntar se algo é necessário — e vimos como viver o Sábado em um lar misto. Agora passamos para uma das primeiras áreas práticas onde esses princípios mais importam: alimentação.

Assim que o cristão decide guardar o Sábado, surgem perguntas sobre as refeições. Devo cozinhar? Posso usar meu forno ou micro-ondas? E quanto a sair para comer ou pedir comida? Como comer é uma parte rotineira da vida diária, é uma área onde a confusão se desenvolve rapidamente. Neste artigo, veremos o que as Escrituras dizem, como os israelitas antigos entenderiam isso e como esses princípios se traduzem para os tempos modernos.

Alimentação e o Sábado: Além do Fogo

O Foco Rabínico no Fogo

Entre todos os regulamentos sabáticos do judaísmo rabínico, a proibição de acender fogo em Êxodo 35:3 é uma regra-chave. Muitas autoridades judaicas ortodoxas proíbem acender ou apagar uma chama, operar aparelhos que geram calor ou usar dispositivos elétricos como acender a luz, apertar o botão do elevador ou ligar o telefone com base nessa passagem bíblica. Elas consideram essas atividades variações de acender fogo, proibindo-as assim no Sábado. Embora essas regras possam inicialmente parecer refletir um desejo de honrar a Deus, interpretações tão rigorosas podem prender as pessoas a regras humanas em vez de libertá-las para desfrutar o dia do Senhor. De fato, são exatamente esses tipos de ensinamentos que Jesus condenou severamente ao falar com os líderes religiosos, como em suas palavras: “Ai de vós, peritos na Lei, porque sobrecarregais os homens com fardos difíceis de carregar, mas vós mesmos nem com um dedo os tocais” (Lucas 11:46).

O 4º Mandamento: Trabalho vs. Descanso, Não Fogo

Por outro lado, Gênesis 2 e Êxodo 20 apresentam o Sábado como um dia para cessar do trabalho. Gênesis 2:2-3 mostra Deus cessando Sua obra criadora e santificando o sétimo dia. Êxodo 20:8-11 ordena a Israel lembrar do Sábado e não fazer nenhum trabalho. O foco não está nos meios (fogo, ferramentas ou animais), mas no ato de trabalhar. No mundo antigo, fazer fogo exigia um esforço considerável: juntar lenha, gerar faíscas e manter o calor. Moisés poderia ter mencionado outras tarefas trabalhosas para ilustrar o mesmo ponto, mas provavelmente usou o fogo porque era uma tentação comum trabalhar no sétimo dia (Números 15:32-36). O mandamento, no entanto, enfatiza parar o trabalho cotidiano, não proibir o uso do fogo em si. Em hebraico, שָׁבַת (shavat) significa “cessar” e este verbo está na raiz do nome שַׁבָּת (Shabbat).

Uma Abordagem de Bom Senso para a Alimentação

Visto por esse ângulo, o Sábado chama o cristão hoje a preparar os alimentos com antecedência e minimizar atividades cansativas durante suas horas sagradas. Cozinhar refeições elaboradas, preparar alimentos do zero ou envolver-se em outros trabalhos intensivos de cozinha deve ser feito antes, não no Sábado. No entanto, usar aparelhos modernos que envolvem mínimo esforço — como fogão, forno, micro-ondas ou liquidificador — é consistente com o espírito do Sábado quando usados para preparar uma refeição simples ou aquecer um prato pré-cozido. A questão não é apenas apertar um botão, mas usar a cozinha de modo que resulte em trabalho típico de dia de semana no santo Sábado, o qual deve ser dedicado principalmente ao descanso.

Comer Fora no Sábado

Um dos erros mais comuns entre os que guardam o Sábado hoje é sair para comer nesse dia. Embora possa parecer uma forma de descanso — afinal, você não está cozinhando — o quarto mandamento proíbe explicitamente fazer outros trabalharem em seu lugar: “Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas” (Êxodo 20:10). Quando você come em um restaurante, obriga a equipe a cozinhar, servir, limpar e lidar com dinheiro, fazendo-os trabalhar por você no Sábado. Mesmo em viagens ou ocasiões especiais, essa prática enfraquece o propósito do dia. Planejar as refeições com antecedência e levar alimentos simples e prontos para comer garante que você possa se alimentar bem sem pedir a outros que trabalhem em seu lugar.

Usando Serviços de Entrega de Comida

O mesmo princípio se aplica aos serviços de entrega de comida como Uber Eats, DoorDash ou aplicativos similares. Embora a conveniência possa ser tentadora, especialmente se você estiver cansado ou viajando, fazer um pedido exige que outra pessoa compre, prepare, transporte e entregue comida à sua porta — tudo trabalho realizado em seu lugar durante as horas sagradas. Isso vai diretamente contra o espírito do Sábado e o mandamento de não fazer outros trabalharem para você. Uma abordagem melhor é planejar com antecedência: levar comida para sua viagem, preparar as refeições no dia anterior ou manter itens não perecíveis à mão para emergências. Ao fazer isso, você demonstra respeito tanto pelo mandamento de Deus quanto pela dignidade daqueles que, de outra forma, estariam trabalhando por você.



Apêndice 5c : Aplicando os Princípios do Sábado na Vida Diária

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Esta página faz parte da série sobre o quarto mandamento: O Sábado:

  1. Apêndice 5a: O Sábado e o Dia de Ir à Igreja, Duas Coisas Diferentes
  2. Apêndice 5b: Como Guardar o Sábado nos Tempos Modernos
  3. Apêndice 5c : Aplicando os Princípios do Sábado na Vida Diária (Página atual).
  4. Apêndice 5d: Alimentação no Sábado — Orientação Prática
  5. Apêndice 5e: Transporte no Sábado
  6. Apêndice 5f: Tecnologia e Entretenimento no Sábado
  7. Apêndice 5g: Trabalho e o Sábado — Enfrentando os Desafios do Mundo Real

Da Teoria à Prática

No artigo anterior exploramos os fundamentos da observância do Sábado — sua santidade, seu descanso e seu horário. Agora passamos a aplicar esses princípios na vida real. Para muitos cristãos, o desafio não é concordar com o mandamento do Sábado, mas saber como vivê-lo em um lar, ambiente de trabalho e cultura modernos. Este artigo inicia essa jornada destacando dois hábitos centrais que tornam possível guardar o Sábado: preparar-se com antecedência e aprender a pausar antes de agir. Juntos, esses hábitos formam a ponte entre os princípios bíblicos e a prática diária.

O Dia da Preparação

Uma das melhores maneiras de experimentar o Sábado como um deleite e não como um fardo é preparar-se com antecedência. Nas Escrituras, o sexto dia é chamado de “o dia da preparação” (Lucas 23:54) porque o povo de Deus foi instruído a recolher e preparar o dobro para que tudo estivesse pronto para o Sábado (Êxodo 16:22-23). Em hebraico esse dia é conhecido como יוֹם הַהֲכָנָה (yom ha’hachanah) — “o dia da preparação”. O mesmo princípio ainda se aplica hoje: ao preparar-se antes, você se liberta — e à sua casa — de trabalhos desnecessários assim que o Sábado começa.

Maneiras Práticas de se Preparar

Essa preparação pode ser simples e flexível, adaptada ao ritmo do seu lar. Por exemplo, limpe a casa — ou pelo menos os cômodos principais — antes do pôr do sol para que ninguém se sinta pressionado a fazer tarefas domésticas durante as horas sagradas. Termine a lavanderia, pague contas ou resolva pendências com antecedência. Planeje as refeições para não ter que correr para cozinhar no Sábado. Separe um recipiente para colocar a louça suja até depois do Sábado ou, se tiver lava-louças, deixe-o vazio para poder carregar os pratos mas não acioná-lo. Algumas famílias até escolhem usar utensílios descartáveis no Sábado para reduzir a bagunça na cozinha. O objetivo é entrar nas horas do Sábado com o mínimo de tarefas pendentes, criando uma atmosfera de paz e descanso para todos no lar.

A Regra da Necessidade

Um segundo hábito prático para viver o Sábado é o que chamaremos de Regra da Necessidade. Sempre que estiver em dúvida sobre uma atividade — especialmente algo fora da sua rotina normal do Sábado — pergunte-se: “É necessário que eu faça isso hoje ou pode esperar até depois do Sábado?” Na maioria das vezes você perceberá que pode esperar. Essa única pergunta ajuda a desacelerar a semana, incentiva a preparação antes do pôr do sol e preserva as horas sagradas para descanso, santidade e aproximação de Deus. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que algumas coisas realmente não podem esperar — atos de misericórdia, emergências e necessidades urgentes de familiares. Ao usar essa regra com cuidado, você honra o mandamento de cessar do trabalho sem transformar o Sábado em um peso.

Aplicando a Regra da Necessidade

A Regra da Necessidade é simples, mas poderosa, porque funciona em quase qualquer situação. Imagine receber uma carta ou pacote no Sábado: na maioria dos casos você pode deixá-lo fechado até depois das horas sagradas. Ou notar um objeto que rolou para baixo de um móvel — a menos que seja um risco, pode esperar. Uma mancha no chão? Passar pano pode esperar também. Até mesmo telefonemas e mensagens podem ser avaliados com a mesma pergunta: “Isso é necessário hoje?” Conversas, compromissos ou tarefas não urgentes podem ser adiados para outro momento, liberando sua mente das preocupações do dia a dia e ajudando-o a manter o foco em Deus.

Essa abordagem não significa ignorar necessidades genuínas. Se algo ameaça a saúde, a segurança ou o bem-estar da sua casa — como limpar um derramamento perigoso, cuidar de uma criança doente ou responder a uma emergência — então é apropriado agir. Mas ao treinar-se para pausar e fazer a pergunta, você começa a separar o que é realmente essencial do que é apenas hábito. Com o tempo, a Regra da Necessidade transforma o Sábado de uma lista de “faça” e “não faça” em um ritmo de escolhas conscientes que criam uma atmosfera de descanso e santidade.

Vivendo o Sábado em um Lar Misto

Para muitos cristãos, um dos maiores desafios não é entender o Sábado, mas guardá-lo em um lar onde outros não guardam. A maioria dos nossos leitores, vindos de contextos que não guardam o Sábado, costuma ser a única pessoa na família tentando observá-lo. Nessas situações, é fácil sentir tensão, culpa ou frustração quando o cônjuge, os pais ou outros adultos da casa não compartilham das mesmas convicções.

O primeiro princípio é liderar pelo exemplo em vez de impor. O Sábado é um presente e um sinal, não uma arma. Tentar obrigar um cônjuge ou filho adulto a observar o Sábado pode gerar ressentimento e prejudicar seu testemunho. Em vez disso, modele sua alegria e paz. Quando sua família vê você mais calmo, feliz e focado durante as horas do Sábado, é mais provável que respeitem sua prática e talvez até se juntem a você ao longo do tempo.

O segundo princípio é a consideração. Sempre que possível, ajuste sua preparação para que sua guarda do Sábado não imponha encargos extras aos outros em sua casa. Por exemplo, planeje as refeições para que seu cônjuge ou outros membros da família não se sintam pressionados a mudar seus hábitos alimentares por causa do Sábado. Explique com gentileza mas clareza de quais atividades você está pessoalmente se abstendo, ao mesmo tempo em que demonstra disposição para atender algumas das necessidades deles. Essa disposição para ajustar-se aos hábitos da família é especialmente útil para evitar conflitos no início da sua jornada de guarda do Sábado.

Ao mesmo tempo, tenha cuidado para não se tornar excessivamente flexível ou condescendente. Embora seja importante manter a paz no lar, concessões excessivas podem lentamente afastá-lo de guardar o Sábado corretamente e criar padrões domésticos difíceis de mudar depois. Busque um equilíbrio entre honrar o mandamento de Deus e demonstrar paciência com sua família.

Por fim, você pode não conseguir controlar o nível de ruído, as atividades ou os horários dos outros em sua casa, mas ainda pode santificar o seu próprio tempo — desligando o celular, deixando o trabalho de lado e mantendo uma atitude gentil e paciente. Com o tempo, o ritmo da sua vida falará mais alto do que qualquer argumento, mostrando que o Sábado não é uma restrição, mas um deleite.



Apêndice 5b: Como Guardar o Sábado nos Tempos Modernos

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Esta página faz parte da série sobre o quarto mandamento: O Sábado:

  1. Apêndice 5a: O Sábado e o Dia de Ir à Igreja, Duas Coisas Diferentes
  2. Apêndice 5b: Como Guardar o Sábado nos Tempos Modernos (Página atual).
  3. Apêndice 5c : Aplicando os Princípios do Sábado na Vida Diária
  4. Apêndice 5d: Alimentação no Sábado — Orientação Prática
  5. Apêndice 5e: Transporte no Sábado
  6. Apêndice 5f: Tecnologia e Entretenimento no Sábado
  7. Apêndice 5g: Trabalho e o Sábado — Enfrentando os Desafios do Mundo Real

Decidindo Guardar o Sábado

No artigo anterior estabelecemos que o mandamento do Sábado ainda se aplica aos cristãos hoje e que guardá-lo é muito mais do que simplesmente escolher um dia para ir à igreja. Agora passamos para o lado prático: como realmente guardar o quarto mandamento depois que você decide obedecê-lo. Muitos leitores chegam a este ponto vindos de um contexto que não guarda o Sábado — talvez católico, ortodoxo, batista, metodista, pentecostal ou outra denominação — e querem honrar o sétimo dia permanecendo onde estão. Este apêndice é para você. Ele visa ajudá-lo a entender o que Deus requer, separar a verdade bíblica da tradição humana e oferecer princípios práticos para observar o Sábado de maneira fiel, alegre e viável na vida moderna.

Ainda assim, é crucial lembrar que o quarto mandamento não é um dever isolado, mas parte da Lei santa e eterna de Deus. Guardar o Sábado não substitui os outros mandamentos de Deus; pelo contrário, flui naturalmente de uma vida dedicada a toda a Sua Lei.

O Núcleo de Guardar o Sábado: Santidade e Descanso

O Sábado e a Santidade

Santidade significa separação para uso de Deus. Assim como o tabernáculo foi separado do uso comum, o Sábado é separado dos outros dias da semana. Deus modelou isso na criação quando cessou Sua obra no sétimo dia e o santificou (Gênesis 2:2-3), estabelecendo o padrão para Seu povo. Êxodo 20:8-11 nos chama para “lembrar do Sábado” e “santificá-lo”, mostrando que a santidade não é um acréscimo opcional, mas a própria essência do quarto mandamento. Na prática, santidade significa moldar as horas do Sábado para que apontem para Deus — afastando-nos de atividades que nos puxam de volta à rotina comum e preenchendo o tempo com coisas que aprofundem nossa consciência Dele.

O Sábado e o Descanso

Além da santidade, o Sábado também é um dia de descanso. Em hebraico, שָׁבַת (shavat) significa “cessar” ou “parar”. Deus cessou Sua obra criadora não porque estivesse cansado, mas para modelar o ritmo de descanso para Seu povo. Esse descanso é mais do que uma pausa do trabalho físico; é sair do ciclo normal de trabalho e consumo para experimentar a presença, o refrigério e a ordem de Deus. É uma pausa deliberada para reconhecer Deus como Criador e Sustentador, confiando que Ele cuidará de nós enquanto cessamos nossos esforços. Ao abraçar esse ritmo, o cristão começa a ver o Sábado não como uma interrupção, mas como um presente semanal — um tempo sagrado para realinhar prioridades e renovar seu relacionamento com Aquele que o criou.

A Exclusividade do Sábado

O Sábado é único entre os mandamentos de Deus. Está enraizado na própria criação, santificado antes de existir uma nação de Israel e focado no tempo em vez do comportamento apenas. Diferente dos outros mandamentos, o Sábado requer um ato consciente de separar nossas rotinas normais a cada sete dias. Para quem nunca o praticou antes, isso pode parecer tanto empolgante quanto assustador. No entanto, é precisamente esse ritmo — sair do comum e entrar no descanso designado por Deus — que se torna um teste semanal de fé e um sinal poderoso de nossa confiança em Sua provisão.

O Sábado como um Teste Semanal de Fé

Isso torna o Sábado não apenas uma observância semanal, mas também um teste recorrente de fé. A cada sete dias, o cristão é chamado a se afastar do próprio trabalho e das pressões do mundo para confiar que Deus proverá. No antigo Israel, isso significava recolher o dobro do maná no sexto dia e confiar que duraria até o sétimo (Êxodo 16:22); nos tempos modernos, muitas vezes significa organizar horários de trabalho, finanças e responsabilidades para que nada invada as horas sagradas. Guardar o Sábado dessa maneira ensina dependência da provisão de Deus, coragem para resistir a pressões externas e disposição para ser diferente em uma cultura que valoriza a produtividade constante. Com o tempo, esse ritmo forma uma espinha dorsal espiritual de obediência — que treina o coração a confiar em Deus não apenas um dia por semana, mas todos os dias e em todas as áreas da vida.

Quando o Sábado Começa e Termina

O primeiro e mais básico elemento de guardar o Sábado é saber quando ele começa e termina. Na própria Torá vemos que Deus estabeleceu o Sábado como um período de vinte e quatro horas de tarde a tarde, não de nascer do sol a nascer do sol nem de meia-noite a meia-noite. Em Levítico 23:32, sobre o Dia da Expiação (que segue o mesmo princípio de tempo), Deus diz: “de tarde a tarde guardareis o vosso Sábado”. Esse princípio também se aplica ao Sábado semanal: o dia começa ao pôr do sol do sexto dia (sexta-feira) e termina ao pôr do sol do sétimo dia (sábado). Em hebraico, isso é expresso como מֵעֶרֶב עַד־עֶרֶב (me’erev ‘ad-‘erev) — “de tarde a tarde”. Compreender esse horário é fundamental para honrar corretamente o Sábado em qualquer época.

Prática Histórica e o Dia Hebraico

Essa contagem de tarde a tarde está profundamente enraizada no conceito hebraico de tempo. Em Gênesis 1, cada dia da criação é descrito como “e foi a tarde e a manhã”, mostrando que no calendário de Deus um novo dia começa ao pôr do sol. É por isso que judeus no mundo todo acendem velas e recebem o Sábado ao entardecer da sexta-feira, uma tradição que reflete o padrão bíblico. Embora o judaísmo rabínico tenha desenvolvido costumes adicionais depois, o limite bíblico básico de “pôr do sol a pôr do sol” permanece claro e inalterado. Mesmo no tempo de Jesus vemos esse padrão reconhecido; por exemplo, Lucas 23:54-56 descreve as mulheres descansando “no Sábado” depois de preparar especiarias antes do pôr do sol.

Aplicação Prática Hoje

Para os cristãos que desejam honrar o Sábado hoje, a maneira mais simples de começar é marcar o pôr do sol da sexta-feira como o início do descanso sabático. Isso pode ser tão simples quanto definir um alarme ou lembrete, ou seguir uma tabela local do pôr do sol. Em hebraico, sexta-feira é chamada יוֹם שִׁשִּׁי (yom shishi) — “o sexto dia” — e sábado é שַׁבָּת (Shabbat) — “Sábado”. Quando o sol se põe em yom shishi, Shabbat começa. Ao preparar-se com antecedência — terminando o trabalho, as tarefas domésticas ou as compras antes do pôr do sol — você cria uma transição pacífica para as horas sagradas. Esse ritmo ajuda a construir consistência e sinaliza para familiares, amigos e até empregadores que este tempo é separado para Deus.

Descanso: Evitando os Dois Extremos

Na prática, os cristãos muitas vezes caem em um de dois extremos ao tentar “descansar” no Sábado. Um extremo trata o Sábado como inatividade completa: vinte e quatro horas sem fazer nada além de dormir, comer e ler material religioso. Embora isso reflita um desejo de não quebrar o mandamento, pode perder a alegria e a dimensão relacional do dia. O outro extremo trata o Sábado como liberdade do trabalho e permissão para entretenimento autocentrado — restaurantes, esportes, maratonas de séries ou transformar o dia em mini-férias. Embora isso possa parecer descanso, facilmente substitui a santidade do dia por distrações.

O Verdadeiro Descanso Sabático

A visão bíblica do descanso sabático está entre esses dois extremos. É cessar do trabalho comum para poder dedicar seu tempo, coração e atenção a Deus (santidade = separado para Deus). Isso pode incluir adoração, comunhão com a família e outros cristãos, atos de misericórdia, oração, estudo e caminhadas tranquilas na natureza — atividades que refrescam a alma sem arrastá-la de volta à rotina normal nem direcioná-la ao entretenimento secular. Isaías 58:13-14 dá o princípio: desviar o pé de fazer o seu próprio prazer no dia santo de Deus e chamar o Sábado de deleite. Em hebraico, a palavra para deleite aqui é עֹנֶג (oneg) — uma alegria positiva enraizada em Deus. Esse é o tipo de descanso que nutre tanto o corpo quanto o espírito e honra o Senhor do Sábado.



Apêndice 5a: O Dia de Sábado e os Dias de ir à Igreja, Duas Coisas Diferentes

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Esta página faz parte da série sobre o quarto mandamento: O Sábado:

  1. Apêndice 5a: O Sábado e o Dia de Ir à Igreja, Duas Coisas Diferentes (Página atual).
  2. Apêndice 5b: Como Guardar o Sábado nos Tempos Modernos
  3. Apêndice 5c : Aplicando os Princípios do Sábado na Vida Diária
  4. Apêndice 5d: Alimentação no Sábado — Orientação Prática
  5. Apêndice 5e: Transporte no Sábado
  6. Apêndice 5f: Tecnologia e Entretenimento no Sábado
  7. Apêndice 5g: Trabalho e o Sábado — Enfrentando os Desafios do Mundo Real

QUAL É O DIA PARA IR À IGREJA?

NENHUM MANDAMENTO SOBRE UM DIA ESPECÍFICO PARA O CULTO

Vamos começar este estudo indo direto ao ponto: não há nenhum mandamento de Deus que indique em que dia um cristão deve ir à igreja, mas há um que determina em que dia ele deve descansar.

O cristão pode ser pentecostal, batista, católico, presbiteriano ou de qualquer outra denominação, frequentando cultos e estudos bíblicos aos domingos ou em qualquer outro dia, mas isso não o isenta da obrigação de descansar no dia ordenado por Deus: o sétimo dia.

O CULTO PODE SER EM QUALQUER DIA

Deus nunca estipulou em que dia Seus filhos deveriam adorá-Lo: não sábado, não domingo, não segunda, terça, etc.

Qualquer dia que o cristão quiser dedicar à adoração a Deus com suas orações, louvores e estudos, ele pode fazê-lo, seja sozinho, em família ou em grupo. O dia em que ele se reúne com seus irmãos para louvar a Deus não tem relação com o quarto mandamento e não está ligado a nenhum outro mandamento dado por Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

O MANDAMENTO DO SÉTIMO DIA

O FOCO É O DESCANSO, NÃO O CULTO

Se Deus realmente quisesse que Seus filhos fossem ao tabernáculo, templo ou igreja no sábado (ou no domingo), Ele obviamente teria mencionado esse detalhe importante no mandamento.

Mas, como veremos a seguir, isso nunca aconteceu. O mandamento apenas diz que não devemos trabalhar nem obrigar ninguém, nem mesmo os animais, a trabalhar no dia que Ele, Deus, santificou.

POR QUE DEUS SEPAROU O SÉTIMO DIA?

Deus menciona o sábado como um dia santo (separado, consagrado) em diversos trechos das Escrituras, começando pela semana da criação:

“E Deus completou no sétimo dia a obra que havia feito, e descansou [Heb. שׁבת (Shabbat), verbo: cessar, descansar] nesse dia de toda a obra que havia realizado. E Deus abençoou o sétimo dia e o santificou [Heb. קדוש (kadosh), substantivo: santo, consagrado, separado], porque nele descansou de toda a obra que havia criado e feito” (Gênesis 2:2-3).

Nesta primeira menção ao sábado, Deus estabelece a base do mandamento que mais tarde nos daria em detalhes:

  • 1. O Criador separou este dia dos seis dias que o precederam (domingo, segunda, terça, etc.).
  • 2. Ele descansou neste dia. Sabemos, obviamente, que o Criador não precisa descansar, pois Deus é Espírito (João 4:24). No entanto, Ele usou essa linguagem humana, conhecida na teologia como antropomorfismo, para nos fazer entender o que espera que Seus filhos na terra façam no sétimo dia: descansar, em hebraico, Shabbat.
Jardim do Éden com árvores frutíferas, animais e um rio.
Ao sétimo dia, Deus havia terminado a obra que realizara; e, no sétimo dia, Ele descansou de todo o trabalho que havia feito. Então, Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de todo o trabalho de criação que havia realizado.

O SÁBADO E O PECADO

O fato de a santificação (ou separação) do sétimo dia dos outros dias ter ocorrido tão cedo na história humana é significativo porque deixa claro que o desejo do Criador de que descansemos especificamente neste dia não está ligado ao pecado, pois o pecado ainda não existia na terra. Isso indica que, no céu e na nova terra, continuaremos a descansar no sétimo dia.

O SÁBADO E O JUDAÍSMO

Também observamos que essa não é uma tradição do judaísmo, pois Abraão, de quem descenderiam os judeus, só surgiria na história séculos depois. Trata-se, sim, de um sinal para mostrar aos verdadeiros filhos de Deus na terra qual é o comportamento do Pai neste dia, para que possamos imitá-Lo, assim como Jesus fez:

“Em verdade, em verdade vos digo: o Filho nada pode fazer de Si mesmo, a não ser o que vê o Pai fazer; porque tudo o que este faz, o Filho também o faz igualmente” (João 5:19).

MAIS DETALHES SOBRE O QUARTO MANDAMENTO

O SÉTIMO DIA EM GÊNESIS

Esta é a referência em Gênesis que deixa mais do que claro que o Criador separou o sétimo dia dos demais e que este é um dia de descanso.

Até este ponto na Bíblia, o Senhor ainda não havia especificado o que o homem, criado no dia anterior, deveria fazer no sétimo dia. Somente quando o povo escolhido iniciou sua jornada rumo à terra prometida é que Deus lhes deu instruções detalhadas sobre o sétimo dia.

Após 400 anos vivendo como escravos em uma terra pagã, o povo escolhido precisava de esclarecimento sobre o sétimo dia. Por isso, Deus escreveu pessoalmente esse mandamento em uma tábua de pedra, para que todos compreendessem que foi o próprio Senhor, e não um ser humano, quem deu essa ordem.

O QUARTO MANDAMENTO COMPLETO

Vejamos o que Deus escreveu sobre o sétimo dia na íntegra:
“Lembra-te do sábado [Heb. שׁבת (Shabbat), v. cessar, descansar, desistir], para o santificar [Heb. קדש (kadesh), v. santificar, consagrar]. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra [Heb. מלאכה (m’larrá), n.d. trabalho, ocupação]; mas o sétimo dia [Heb. ום השׁביעי (uma shivi-i), sétimo dia] é o descanso do Senhor teu Deus. Nele não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus, a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou” (Êxodo 20:8-11).

POR QUE O MANDAMENTO COMEÇA COM O VERBO “LEMBRAR”?

UM LEMBRETE DE UMA PRÁTICA JÁ EXISTENTE

O fato de Deus iniciar o mandamento com o verbo lembrar [Heb. זכר (zakar), v. lembrar, recordar] deixa claro que o descanso no sétimo dia não era algo novo para Seu povo.

Devido à condição de escravidão no Egito, eles não podiam descansar com frequência ou da maneira correta. Além disso, vale notar que este é, de longe, o mandamento mais detalhado dos dez que foram dados ao povo, ocupando um terço dos versículos bíblicos dedicados aos mandamentos.

O FOCO DO MANDAMENTO

Poderíamos explorar esta passagem de Êxodo com profundidade, mas o objetivo deste estudo é destacar um ponto essencial: o Senhor não mencionou nada no quarto mandamento relacionado a adoração a Deus, reuniões em templos para cantar, orar ou estudar as Escrituras.

O que Ele enfatizou foi que devemos lembrar que foi este dia, o sétimo, que Ele santificou e separou como um dia de descanso.

O DESCANSO É OBRIGATÓRIO PARA TODOS

O mandamento de Deus para descansar no sétimo dia é tão sério que Ele ampliou a ordem para incluir nossos visitantes (estrangeiros), empregados (servos) e até mesmo os animais, deixando muito claro que nenhum trabalho secular seria permitido nesse dia.

A OBRA DE DEUS, AS NECESSIDADES BÁSICAS E OS ATOS DE BONDADE NO SÁBADO

OS ENSINAMENTOS DE JESUS SOBRE O SÁBADO

Quando esteve entre nós, Jesus deixou claro que atos relacionados à obra de Deus na terra (João 5:17), às necessidades humanas básicas, como se alimentar (Mateus 12:1), e os atos de bondade para com os outros (João 7:23) podem e devem ser feitos no sétimo dia sem que isso viole o quarto mandamento.

DESCANSAR E SE ALEGRAR EM DEUS

No sétimo dia, o filho de Deus descansa de seu trabalho, imitando assim seu Pai nos céus. Ele também adora a Deus e se deleita em Sua lei, não apenas no sétimo dia, mas em todos os dias da semana.

O filho de Deus ama e tem prazer em obedecer tudo o que seu Pai lhe ensinou:
“Bem-aventurado é o homem que não anda no conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na Sua lei medita de dia e de noite” (Salmos 1:1-2; veja também: Salmos 40:8; 112:1; 119:11; 119:35; 119:48; 119:72; 119:92; Jó 23:12; Jeremias 15:16; Lucas 2:37; 1 João 5:3).

A PROMESSA DE ISAÍAS 58:13-14

Deus usou o profeta Isaías como Seu porta-voz para fazer uma das mais belas promessas da Bíblia àqueles que O obedecem guardando o sábado como um dia de descanso:
“Se desviares o teu pé de profanar o sábado, de fazer a tua vontade no meu santo dia; se chamares o sábado deleitoso, santo e glorioso do Senhor; e o honrares, não seguindo os teus próprios caminhos, nem buscando a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse” (Isaías 58:13-14).

AS BÊNÇÃOS DO SÁBADO TAMBÉM SÃO PARA OS GENTIOS

OS GENTIOS E O SÉTIMO DIA

Uma promessa especial e belíssima relacionada ao sétimo dia está reservada para aqueles que buscam as bênçãos de Deus. Ao mesmo profeta, o Senhor foi ainda mais longe, deixando claro que as bênçãos do sábado não estão limitadas aos judeus.

A PROMESSA DE DEUS AOS GENTIOS QUE GUARDAM O SÁBADO

“E quanto aos gentios (‏נֵכָר nfikhār – estrangeiros, não judeus) que se unem ao Senhor para servi-Lo, para amar o nome do Senhor e para serem Seus servos, todos os que guardam o sábado sem profaná-lo e abraçam a Minha aliança, eu os levarei ao Meu santo monte e os alegrarei na Minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos sobre o meu altar; pois a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos” (Isaías 56:6-7).

O SÁBADO E AS ATIVIDADES NA IGREJA

DESCANSANDO NO SÉTIMO DIA

O cristão obediente, seja um judeu messiânico ou um gentio, descansa no sétimo dia porque este, e nenhum outro, é o dia que o Senhor instruiu para o descanso.

Se deseja interagir com Deus em grupo ou adorá-Lo ao lado de irmãos e irmãs em Cristo, pode fazê-lo sempre que houver oportunidade, o que geralmente ocorre aos domingos e também às quartas ou quintas-feiras, quando muitas igrejas realizam cultos de oração, doutrina, cura e outros serviços.

Tanto os judeus no período bíblico quanto os judeus ortodoxos modernos frequentam as sinagogas aos sábados porque isso é, obviamente, mais conveniente, uma vez que não trabalham nesse dia, em obediência ao quarto mandamento.

JESUS E O SÁBADO

SUA PRESENÇA REGULAR NO TEMPLO

O próprio Jesus frequentava o templo aos sábados regularmente, mas em nenhum momento Ele deu a entender que fazia isso porque fazia parte do quarto mandamento — porque simplesmente não faz.

Maquete do Templo de Jerusalém em Israel.
Maquete do Templo de Jerusalém antes de ser destruído pelos romanos em 70 d.C. Jesus frequentava regularmente e pregava no Templo e nas sinagogas.

JESUS TRABALHAVA PARA A SALVAÇÃO DAS ALMAS NO SÁBADO

Jesus estava ocupado sete dias por semana realizando a obra do Pai:
“A minha comida”, disse Jesus, “é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a Sua obra” (João 4:34).

E também:
“Mas Jesus lhes respondeu: ‘Meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho'” (João 5:17).

No sábado, Ele frequentemente encontrava o maior número de pessoas no templo que precisavam ouvir a mensagem do Reino:
“Foi a Nazaré, onde havia sido criado, e no dia de sábado entrou na sinagoga, como era Seu costume. E levantou-se para ler” (Lucas 4:16).

O ENSINO DE JESUS, POR PALAVRA E EXEMPLO

O verdadeiro discípulo de Cristo modela sua vida em todos os aspectos conforme Ele nos ensinou. Jesus indicou claramente que, se O amamos, seremos obedientes ao Pai e ao Filho.

Essa não é uma exigência para os fracos, mas para aqueles que têm seus olhos fixos no Reino de Deus e estão dispostos a fazer o que for necessário para alcançar a vida eterna — mesmo que isso gere oposição de amigos, igreja e família.

O mandamento sobre cabelo e barba, tzitzit, circuncisão, sábado e as carnes proibidas são ignorados por quase todo o cristianismo, e aqueles que se recusam a seguir a multidão certamente serão perseguidos, assim como Jesus nos alertou.

A obediência a Deus exige coragem, mas a recompensa é a eternidade.



Apêndice 4: O Cabelo e a Barba do Cristão

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UM MANDAMENTO DE DEUS TÃO SIMPLES, E COMPLETAMENTE IGNORADO

O MANDAMENTO EM LEVÍTICO 19:27

Não há justificativa bíblica para que praticamente todas as denominações cristãs ignorem o mandamento de Deus sobre os homens manterem seus cabelos e barbas conforme o Senhor instruiu.

Sabemos que esse mandamento foi fielmente observado por todos os judeus durante o período bíblico sem interrupção, assim como os judeus ultraortodoxos ainda o observam hoje, embora com detalhes não bíblicos devido a uma interpretação rabínica equivocada da passagem.

Também não há dúvidas de que Jesus, juntamente com todos os Seus apóstolos e discípulos, obedeceu fielmente a todos os mandamentos contidos na Torá, incluindo Levítico 19:27:
“Não raspem o cabelo em volta da cabeça nem raspem a barba rente à pele.”

INFLUÊNCIA GRECO-ROMANA

Os primeiros cristãos começaram a se afastar do mandamento sobre o cabelo e a barba, em grande parte devido às influências culturais nos primeiros séculos da era cristã.

PRÁTICAS CULTURAIS E COMPROMISSOS

À medida que o cristianismo se espalhava pelo mundo greco-romano, os convertidos traziam consigo suas práticas culturais. Tanto os gregos quanto os romanos tinham normas de higiene e aparência que incluíam raspar e aparar os cabelos e as barbas. Essas práticas começaram a influenciar os costumes dos cristãos gentios.

Estátua de Menandro mostrando o cabelo curto e a barba raspada dos antigos gregos.
Os primeiros cristãos foram influenciados pela aparência dos romanos e dos gregos e começaram a desconsiderar a Lei de Deus sobre como manter o cabelo e a barba.

O FRACASSO DA IGREJA EM SE MANTER FIRME

Esse deveria ter sido o momento em que os líderes da igreja se posicionassem firmemente, enfatizando a necessidade de permanecer fiéis aos ensinamentos dos profetas e de Jesus, independentemente dos valores e práticas culturais.

Eles não deveriam ter feito concessões em nenhum dos mandamentos de Deus. No entanto, essa falta de determinação foi transmitida através das gerações, resultando em um povo enfraquecido em sua capacidade de permanecer fiel à Lei de Deus.

O REMANESCENTE PRESERVADO POR DEUS

Essa fraqueza persiste até os dias de hoje, e a igreja que vemos agora está muito distante daquela que Jesus estabeleceu. A única razão pela qual ela continua existindo é que, como sempre, Deus tem preservado um remanescente fiel:
“Conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou” (1 Reis 19:18).

O SIGNIFICADO DO MANDAMENTO

UM LEMBRETE DE OBEDIÊNCIA

O mandamento referente ao cabelo e à barba é um lembrete tangível da obediência e da separação das influências mundanas. Ele reflete um estilo de vida dedicado a honrar as instruções de Deus acima das normas culturais ou sociais.

Um homem tendo o seu cabelo cortado no antigo Israel.
Não há passagem nas Escrituras indicando que Deus cancelou Seu mandamento sobre cabelo e barba. Jesus e Seus discípulos mantinham seus cabelos e barbas de acordo com a lei.

Jesus e Seus apóstolos modelaram essa obediência, e o exemplo deles deve inspirar os fiéis de hoje a resgatar esse mandamento muitas vezes negligenciado como parte da sua fidelidade à santa Lei de Deus.

JESUS, SUA BARBA E SEU CABELO

JESUS COMO O EXEMPLO SUPREMO

Jesus Cristo, através de Sua vida, nos deu o exemplo supremo de como qualquer pessoa que busca a vida eterna deve viver neste mundo. Ele demonstrou a importância de obedecer a todos os mandamentos do Pai, incluindo o mandamento sobre o cabelo e a barba dos filhos de Deus.

Seu exemplo é significativo em dois aspectos principais: para Seus contemporâneos e para as futuras gerações de discípulos.

DESAFIANDO AS TRADIÇÕES RABÍNICAS

Em Seu tempo, a obediência de Jesus à Torá serviu para confrontar muitos dos ensinamentos rabínicos que dominavam a vida judaica. Esses ensinamentos pareciam ser ultra-fiéis à Torá, mas na verdade eram, em grande parte, tradições humanas projetadas para manter as pessoas “escravizadas” a essas regras.

OBEDIÊNCIA PURA E SEM CONTAMINAÇÃO

Ao observar fielmente a Torá — incluindo os mandamentos sobre Sua barba e cabelo — Jesus desafiou essas distorções e forneceu um exemplo puro e incontaminado de obediência à Lei de Deus.

A BARBA DE JESUS NA PROFECIA E EM SEU SOFRIMENTO

A importância da barba de Jesus também é destacada na profecia e em Seu sofrimento. Na predição do tormento do Messias, como o servo sofredor, uma das torturas que Jesus suportou foi ter Sua barba arrancada:

“Ofereci as costas àqueles que me feriam, e as faces àqueles que arrancavam a minha barba; não escondi o rosto da zombaria e dos cuspes” (Isaías 50:6).

Esse detalhe destaca não apenas o sofrimento físico de Jesus, mas também Sua obediência inabalável aos mandamentos de Deus, mesmo diante de um tormento inimaginável. Seu exemplo permanece como um poderoso lembrete para Seus seguidores hoje, incentivando-os a honrar a Lei de Deus em todos os aspectos da vida, assim como Ele fez.

COMO OBSERVAR CORRETAMENTE ESTE MANDAMENTO ETERNO

COMPRIMENTO DO CABELO E DA BARBA

Os homens devem manter seus cabelos e barbas em um comprimento que torne evidente que possuem ambos, mesmo quando observados à distância. Nem muito longos nem muito curtos, o aspecto essencial é que nem os cabelos nem a barba sejam aparados de forma excessiva.

NÃO RASPAR OS CONTORNOS NATURAIS

Os cabelos e a barba não devem ser raspados em seus contornos naturais. Esse é o ponto central do mandamento, baseado na palavra hebraica pe’ah פאה, que significa contorno, borda, extremidade ou lateral. Não se refere ao comprimento de cada fio, mas sim às bordas naturais do cabelo e da barba.

Por exemplo, a mesma palavra pe’ah é usada em referência às extremidades de um campo:

“Quando fizerem a colheita da terra de vocês, não colham até as extremidades (pe’ah) do campo, nem recolham as espigas caídas da colheita” (Levítico 19:9).

É evidente que isso não se refere ao tamanho ou altura do trigo (ou qualquer outra planta), mas sim à área periférica do campo. O mesmo entendimento se aplica ao cabelo e à barba.

ESSENCIAIS PARA OBSERVAR O MANDAMENTO

  1. Manter a visibilidade: O cabelo e a barba devem estar visivelmente presentes e reconhecíveis, refletindo a distinção ordenada por Deus.
  2. Preservar os contornos naturais: Não raspar ou alterar os contornos naturais das extremidades do cabelo e da barba.

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Ao seguir esses princípios, os homens podem observar fielmente essa instrução divina sobre o cabelo e a barba, honrando os mandamentos eternos de Deus conforme foram dados.

ARGUMENTOS INVÁLIDOS PARA NÃO OBEDECER A ESSE MANDAMENTO DE DEUS

ARGUMENTO INVÁLIDO:

“Somente aqueles que querem ter barba precisam obedecer”

Alguns homens, incluindo líderes messiânicos, argumentam que não precisam obedecer a este mandamento porque raspam completamente suas barbas. Segundo esse raciocínio ilógico, o mandamento só se aplicaria se alguém escolhesse “ter uma barba”. Em outras palavras, apenas se um homem quisesse deixar crescer a barba (ou o cabelo) ele precisaria seguir as instruções de Deus.

Esse raciocínio conveniente não se encontra no texto sagrado. Não há nenhum “se” ou “caso” condicional, apenas instruções claras sobre como o cabelo e a barba devem ser mantidos. Usando essa mesma lógica, alguém poderia ignorar outros mandamentos, como o sábado:

  • “Eu não preciso guardar o sétimo dia porque não observo nenhum dia.”
  • “Eu não preciso me preocupar com carnes proibidas porque nunca pergunto que tipo de carne está no meu prato.”

Esse tipo de atitude não convence a Deus, pois Ele vê que a pessoa considera Suas leis não como algo prazeroso, mas como um incômodo que gostaria que não existisse. Isso está em total contraste com a atitude dos salmistas:
“Ó Senhor, ensina-me a entender as tuas leis, e eu as seguirei sempre. Dá-me entendimento para que eu guarde a tua lei e a obedeça de todo o coração (Salmos 119:33-34).

ARGUMENTO INVÁLIDO:

“O mandamento sobre a barba e o cabelo estava relacionado às práticas pagãs das nações vizinhas”

O mandamento sobre cabelo e barba é frequentemente mal interpretado como sendo relacionado a rituais pagãos pelos mortos, simplesmente porque alguns versículos adjacentes no mesmo capítulo mencionam práticas que Deus proíbe. No entanto, quando examinamos o contexto e a tradição judaica, percebemos que essa interpretação carece de base sólida nas Escrituras.

Esse mandamento é uma instrução clara sobre a aparência pessoal, sem qualquer menção a práticas pagãs relacionadas aos mortos ou a qualquer outro costume pagão.

O CONTEXTO MAIS AMPLO DE LEVÍTICO 19

Levítico 19:1-37 contém uma ampla gama de leis que abrangem diversos aspectos da vida diária e da moralidade. Essas leis incluem mandamentos sobre:

  • Não praticar advinhação e feitiçaria (Levítico 19:26).
  • Não fazer cortes ou tatuagens no corpo pelos mortos (Levítico 19:28).
  • Não prostituir (Levítico 19:29).
  • Tratar bem os estrangeiros (Levítico 19:33-34).
  • Honrar os idosos (Levítico 19:32).
  • Usar pesos e medidas justos (Levítico 19:35-36).
  • Não misturar diferentes tipos de sementes (Levítico 19:19).

Cada uma dessas leis reflete a preocupação específica de Deus com a santidade e a ordem dentro do povo de Israel. Assim, é essencial considerar cada mandamento por seus próprios méritos. Não se pode simplesmente alegar que o mandamento de não cortar o cabelo e a barba está vinculado a práticas pagãs apenas porque o versículo 28 menciona cortes  e marcas no corpo pelos mortos e o versículo 26 trata de feitiçaria.

NENHUMA CLÁUSULA CONDICIONAL NO MANDAMENTO

SEM EXCEÇÕES NAS ESCRITURAS

Embora existam passagens no Tanach que conectam o ato de raspar o cabelo e a barba com o luto, em nenhum lugar das Escrituras se afirma que um homem pode raspar seu cabelo e barba desde que não o faça como sinal de luto.

Essa cláusula condicional ao mandamento é uma adição humana — uma tentativa de criar exceções que Deus não incluiu em Sua Lei. Tal interpretação acrescenta cláusulas que não estão no texto sagrado, revelando uma busca por justificativas para evitar a obediência completa.

AJUSTAR OS MANDAMENTOS É REBELDIA

Essa atitude de ajustar os mandamentos conforme a conveniência pessoal, em vez de seguir o que foi claramente ordenado, vai contra o espírito de submissão à vontade de Deus. As passagens que mencionam raspar-se pelos mortos servem como advertências de que essa desculpa não justificaria a violação do mandamento sobre cabelo e barba.

OS JUDEUS ORTODOXOS

SUA INTERPRETAÇÃO DO MANDAMENTO

Embora tenham uma compreensão equivocada sobre certos detalhes do corte de cabelo e barba, os judeus ortodoxos, desde a antiguidade, sempre entenderam que o mandamento de Levítico 19:27 era distinto das leis relacionadas a práticas pagãs.

Eles mantêm essa distinção, reconhecendo que a proibição reflete um princípio de santidade e separação, sem relação com o luto ou rituais idólatras.

ANALISANDO OS TERMOS HEBRAICOS

As palavras hebraicas usadas no versículo 27, como taqqifu (תקפו), que significa “cortar ou raspar ao redor”, e tashchit תשחית, que significa “danificar” ou “destruir”, indicam uma proibição contra alterar a aparência natural do homem de uma forma que desonre a imagem de santidade que Deus espera de Seu povo.

Não há conexão com as práticas pagãs descritas nos versículos anteriores ou posteriores.

Afirmar que Levítico 19:27 está relacionado a rituais pagãos é incorreto e tendencioso. O versículo faz parte de um conjunto de mandamentos que orientam a conduta e a aparência do povo de Israel e sempre foi entendido como uma ordem distinta, separada dos ritos de luto ou idolatria mencionados em outras passagens.

O ENSINO DE JESUS, POR PALAVRA E EXEMPLO

O verdadeiro seguidor de Cristo usa Sua vida como modelo para tudo. Jesus deixou claro que, se O amamos, seremos obedientes ao Pai e ao Filho.

Esse é um requisito não para os fracos, mas para aqueles que têm seus olhos fixos no Reino de Deus e estão dispostos a fazer o que for necessário para alcançar a vida eterna — mesmo que isso gere oposição de amigos, igreja e família.

MANDAMENTOS IGNORADOS PELA MAIORIA DO CRISTIANISMO

Os mandamentos sobre cabelo e barba, tzitzit, circuncisão, o sábado e as carnes proibidas são ignorados por praticamente todo o cristianismo. Aqueles que se recusam a seguir a multidão certamente enfrentarão perseguição, exatamente como Jesus nos advertiu.

Obedecer a Deus exige coragem, mas a recompensa é a eternidade.



Apêndice 3: O Tzitzit (Franjas, Cordões, Borlas)

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O MANDAMENTO DE LEMBRAR DOS MANDAMENTOS

A INSTRUÇÃO SOBRE OS TZITZITS

O mandamento dos tzitzits, dado por Deus através de Moisés durante os 40 anos de peregrinação, instrui os filhos de Israel — tanto os nascidos na terra quanto os gentios — a fazerem franjas (tzitzits [ציצת], que significa cordões, fios, franjas, borlas) nas bordas de suas vestes e a incluir um fio azul entre elas.

Esse símbolo físico serve para distinguir os seguidores de Deus, funcionando como um lembrete constante de sua identidade e compromisso com Seus mandamentos.

O SIGNIFICADO DO FIO AZUL

A inclusão do fio azul — uma cor frequentemente associada aos céus e à divindade — enfatiza a santidade e a importância desse lembrete. Esse mandamento é declarado como válido “por todas as suas gerações”, indicando que não está restrito a um período específico, mas deve ser observado continuamente:

“O Senhor disse a Moisés: ‘Fala aos filhos de Israel e dize-lhes que, por todas as gerações, façam para si borlas nas extremidades das suas vestes, colocando um fio azul em cada borla. As borlas servirão para que, ao vê-las, vocês se lembrem de todos os mandamentos do Senhor e os obedeçam, para que não se prostituam, seguindo os desejos do próprio coração e dos olhos. Assim vocês lembrarão de obedecer a todos os meus mandamentos e serão consagrados ao seu Deus’” (Números 15:37-40).

O TZITZIT COMO UMA FERRAMENTA SAGRADA

O tzitzit não é um mero adorno; trata-se de uma ferramenta sagrada para guiar o povo de Deus à obediência. Seu propósito é claro: impedir que os fiéis sigam seus próprios desejos e conduzi-los a uma vida de santidade diante de Deus.

Ao usar os tzitzits, os seguidores do Senhor demonstram sua dedicação aos mandamentos e se lembram diariamente da aliança com Ele.

APENAS PARA HOMENS OU PARA TODOS?

A TERMINOLOGIA HEBRAICA

Uma das perguntas mais comuns sobre esse mandamento é se ele se aplica exclusivamente aos homens ou a todos. A resposta está no termo hebraico usado neste versículo, Bnei Yisraelבני ישראל, que significa “filhos de Israel” (masculino).

Em outros versículos, no entanto, quando Deus dá instruções para toda a comunidade, a frase Kol-Kahal Yisrael (כל-קהל ישראל), que significa “assembleia de Israel”, é usada, indicando claramente que a instrução se aplica a todos (veja Josué 8:35; Deuteronômio 31:11;  2 Crônicas 34:30).

Há também casos em que a população em geral é mencionada usando a palavra am (עַם), que simplesmente significa “povo”, sendo claramente neutra em relação ao gênero. Por exemplo, quando Deus entregou os Dez Mandamentos: “Assim Moisés desceu até o povo (עַם) e lhes falou” (Êxodo 19:25).

A escolha das palavras para o mandamento sobre os tzitzits, no hebraico original, indica que ele foi especificamente direcionado aos filhos (“homens”) de Israel.

A PRÁTICA ENTRE AS MULHERES HOJE

O USO DOS TZITZITS POR MULHERES

Embora algumas mulheres judias modernas e gentias messiânicas gostem de adornar suas roupas com o que chamam de tzitzits, não há nenhuma indicação de que este mandamento foi originalmente destinado a ambos os sexos.

COMO USAR OS TZITZITS

Os tzitzits devem ser fixados na roupa: dois na parte da frente e dois na parte de trás, exceto durante o banho (naturalmente). Alguns consideram opcional usá-los enquanto dormem. Aqueles que optam por não usá-los ao dormir seguem a lógica de que o propósito dos tzitzits é servir como um lembrete visual, o que se torna irrelevante quando se está dormindo.

A pronúncia de tzitzits é (zitzit), e as formas plurais são tzitzitot (zitziôt) ou simplesmente tzitzits.

A COR DOS FIOS

NENHUM TOM ESPECÍFICO DE AZUL É EXIGIDO

É importante observar que a passagem não especifica o tom exato de azul (ou roxo) para o fio especial. No judaísmo moderno, muitos optam por não incluir o fio azul, alegando que a tonalidade exata é desconhecida, e em vez disso utilizam apenas fios brancos nos tzitzits. No entanto, se o tom exato fosse um fator crucial, Deus certamente teria dado uma instrução clara a esse respeito.

A essência do mandamento está na obediência e no lembrete constante dos mandamentos de Deus, e não na exatidão da tonalidade da cor.

O SIMBOLISMO DO FIO AZUL

Alguns acreditam que o fio azul simboliza o Messias, embora não haja base nas Escrituras para essa interpretação, apesar de sua natureza atraente.

Outros aproveitam a ausência de restrições quanto às cores dos demais fios — além da exigência de que um seja azul — para criar tzitzits elaborados e multicoloridos. Isso não é recomendável, pois demonstra uma abordagem casual aos mandamentos de Deus, o que não é construtivo.

CONTEXTO HISTÓRICO DAS CORES

Nos tempos bíblicos, tingir fios era caro, então é quase certo que os tzitzits originais eram feitos com as cores naturais da lã de ovelhas, cabras ou camelos, provavelmente variando entre branco e bege. Recomendamos aderir a esses tons naturais.

O NÚMERO DE FIOS

INSTRUÇÕES BÍBLICAS SOBRE OS FIOS

As Escrituras não especificam quantos fios cada tzitzit deve ter. A única exigência é que um dos fios seja azul.

No judaísmo moderno, os tzitzits são geralmente feitos com quatro fios dobrados ao meio, formando um total de oito fios. Também incorporam nós, que são considerados obrigatórios. No entanto, essa prática de usar oito fios e nós é uma tradição rabínica sem base nas Escrituras.

Imagens dos tipos de tzitzits (franja, borlas, cordões) mais usados. Dois errados e um correto.

NÚMEROS SUGERIDOS: CINCO OU DEZ FIOS

Para nossos propósitos, sugerimos o uso de cinco ou dez fios para cada tzitzit. Esse número é escolhido porque, se o propósito dos tzitzits é nos lembrar dos mandamentos de Deus, é apropriado que o número de fios esteja alinhado com os Dez Mandamentos.

Embora a Lei de Deus contenha muito mais do que dez mandamentos, as duas tábuas dos Dez Mandamentos em Êxodo 20 há muito tempo são consideradas um símbolo da totalidade da Lei de Deus.

O SIMBOLISMO DO NÚMERO DE FIOS

Nesse caso:

  • Dez fios poderiam representar os Dez Mandamentos em cada tzitzit.
  • Cinco fios poderiam simbolizar cinco mandamentos por tábua, embora não se saiba com certeza como os mandamentos foram divididos entre as duas tábuas.

Muitos especulam (sem evidências) que uma tábua continha quatro mandamentos relacionados ao nosso relacionamento com Deus e a outra seis mandamentos sobre nosso relacionamento com outras pessoas.

De qualquer forma, escolher cinco ou dez fios é apenas uma sugestão, pois Deus não forneceu esse detalhe a Moisés.

Faça você mesmo o seu tzitzit segundo o mandamento em Números 15:37-40
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imagem com link para o PDF sobre como fazer o seu próprio tzitzit

PARA QUE, AO VÊ-LO, VOCÊS SE LEMBREM

UMA FERRAMENTA VISUAL PARA A OBEDIÊNCIA

O tzitzit, com seu fio azul, serve como uma ferramenta visual para ajudar os servos de Deus a lembrar e cumprir todos os Seus mandamentos. O versículo enfatiza a importância de não seguir os desejos do coração ou dos olhos, que podem levar ao pecado. Em vez disso, os seguidores de Deus devem focar na obediência aos Seus mandamentos.

UM PRINCÍPIO ETERNO

Esse princípio é atemporal, aplicando-se tanto aos antigos israelitas quanto aos fiéis de hoje, que são chamados a permanecer obedientes aos mandamentos de Deus e evitar as tentações do mundo. Sempre que Deus nos instrui a lembrar de algo, é porque Ele sabe que somos propensos a esquecer.

UMA BARREIRA CONTRA O PECADO

Esse “esquecimento” não significa apenas falhar em lembrar os mandamentos, mas também deixar de colocá-los em prática. Quando uma pessoa está prestes a cometer um pecado e olha para seus tzitzits, é lembrada de que há um Deus que lhe deu mandamentos. Se esses mandamentos não forem obedecidos, haverá consequências.

Nesse sentido, o tzitzit serve como uma barreira contra o pecado, ajudando os crentes a se manterem conscientes de suas obrigações e firmes em sua fidelidade a Deus.

TODOS OS MEUS MANDAMENTOS

UM CHAMADO À OBEDIÊNCIA COMPLETA

Observar todos os mandamentos de Deus é essencial para manter a santidade e a fidelidade a Ele. Os tzitzits nas vestes servem como um símbolo tangível para lembrar os servos de Deus de sua responsabilidade de viver uma vida santa e obediente.

Ser santo — separado para Deus — é um tema central em toda a Bíblia, e este mandamento específico fornece um meio pelo qual os servos de Deus podem se lembrar constantemente de sua obrigação de obedecer.

O SIGNIFICADO DE “TODOS” OS MANDAMENTOS

É importante notar o uso do substantivo hebraico kōl כֹּל, que significa “todos”, enfatizando a necessidade de obedecer não apenas alguns mandamentos — como é a prática em praticamente todas as igrejas do mundo —, mas sim todo o conjunto de mandamentos que nos foi dado.

Os mandamentos de Deus são, na verdade, instruções que devem ser seguidas fielmente se desejamos agradá-Lo. Ao fazer isso, estamos nos posicionando para sermos enviados a Jesus e recebermos o perdão de nossos pecados por meio de Seu sacrifício expiatório.

O PROCESSO QUE LEVA À SALVAÇÃO

AGRADANDO AO PAI POR MEIO DA OBEDIÊNCIA

Jesus deixou claro que o caminho para a salvação começa com o indivíduo agradando ao Pai por meio de sua conduta (Salmo 18:22-24). Quando o Pai examina o coração da pessoa e confirma sua inclinação para a obediência, o Espírito Santo a conduz à observância de todos os Seus santos mandamentos.

O PAPEL DO PAI EM LEVAR ALGUÉM A JESUS

O Pai então envia, ou “dá de presente”, essa pessoa a Jesus:
“Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:44).
E também:
“Esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que Ele me deu, mas os ressuscite no último dia” (João 6:39).

OS TZITZITS COMO UM LEMBRETE DIÁRIO

Os tzitzits, como lembrete visual e físico, desempenham um papel vital nesse processo, servindo como um auxílio diário para que os servos de Deus permaneçam firmes na obediência e na santidade.

Essa conscientização contínua sobre todos os Seus mandamentos não é opcional, mas um aspecto fundamental de uma vida dedicada a Deus e alinhada com Sua vontade.

JESUS E OS TZITZITS

aleidedeus.org - mulher com fluxo de sangue toca no tzitzit de Jesus

Jesus Cristo, em Sua vida, demonstrou a importância de cumprir os mandamentos de Deus, incluindo o uso dos tzitzits em Suas vestes. Quando lemos o termo grego original (kraspedon) κράσπεδον, que significa tzitzits, fios, franjas, borlas, torna-se evidente que foi isso que a mulher com fluxo de sangue tocou para receber a cura:

“E eis que uma mulher que havia doze anos sofria de uma hemorragia veio por trás Dele e tocou a borla de Sua veste” (Mateus 9:20).

Da mesma forma, no Evangelho de Marcos, vemos que muitos procuravam tocar os tzitzits de Jesus, reconhecendo que simbolizavam os poderosos mandamentos de Deus, que trazem bênçãos e cura:

“E onde quer que Ele entrasse, fosse em povoados, cidades ou campos, colocavam os enfermos nas praças e Lhe rogavam que os deixasse tocar ao menos a borla de Sua veste; e todos os que a tocavam eram curados” (Marcos 6:56).

O SIGNIFICADO DOS TZITZITS NA VIDA DE JESUS

Esses relatos destacam que Jesus observava fielmente o mandamento de usar os tzitzits, conforme instruído na Torá. Os tzitzits não eram meros elementos decorativos, mas símbolos profundos dos mandamentos de Deus, que Jesus incorporou e cumpriu.

O fato de o povo reconhecer os tzitzits como um ponto de conexão com o poder divino ressalta o papel da obediência à Lei de Deus na obtenção de bênçãos e milagres.

A adesão de Jesus a esse mandamento demonstra Sua total submissão à Lei de Deus e fornece um exemplo poderoso para Seus seguidores fazerem o mesmo — não apenas no uso dos tzitzits, mas na obediência a todos os mandamentos do Pai, como o sábado, a circuncisão, o cabelo e a barba e as carnes proibidas.



Apêndice 2: A Circuncisão e o Cristão

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CIRCUNCISÃO: UM MANDAMENTO QUE QUASE TODAS AS IGREJAS CONSIDERAM ABOLIDO

Entre todos os santos mandamentos de Deus, a circuncisão parece ser o único que quase todas as igrejas erroneamente consideram abolido. O consenso é tão amplo que até antigos rivais doutrinários — como a Igreja Católica e denominações protestantes (Assembleia de Deus, Adventista, Batista, Presbiteriana, Congregação, etc.) —, bem como grupos frequentemente rotulados como seitas, como os Mórmons e as Testemunhas de Jeová, todos afirmam que este mandamento foi cancelado na cruz.

JESUS NUNCA ENSINOU SEU CANCELAMENTO

Há duas razões principais para essa crença ser tão difundida entre os cristãos, apesar do fato de que Jesus nunca ensinou tal doutrina e de que todos os apóstolos e discípulos de Jesus obedeceram a esse mandamento — incluindo Paulo, cujos escritos são frequentemente usados por líderes para “liberar” os gentios desse requisito estabelecido pelo próprio Deus.

Isso acontece mesmo sem haver qualquer profecia no Antigo Testamento sugerindo que, com a vinda do Messias, o povo de Deus — judeus ou gentios — estaria isento de obedecer a esse mandamento. Na verdade, desde o tempo de Abraão, a circuncisão sempre foi exigida para que qualquer homem fizesse parte do povo que Deus separou para ser salvo, independentemente de ser ou não um descendente de Abraão.

A CIRCUNCISÃO COMO SINAL DO PACTO ETERNO

Ninguém era admitido na comunidade santa (separada das demais nações) sem se submeter à circuncisão. A circuncisão era o sinal físico do pacto entre Deus e Seu povo privilegiado.

Além disso, esse pacto não era limitado a um período específico nem aos descendentes biológicos de Abraão; ele também incluía todos os gentios que desejassem ser oficialmente integrados à comunidade e considerados iguais perante Deus. O Senhor foi explícito: “Isso se aplica não apenas aos nascidos em sua casa, mas também aos servos estrangeiros que você comprou. Quer tenham nascido em sua casa ou tenham sido comprados com seu dinheiro, eles devem ser circuncidados. Meu pacto na sua carne será um pacto eterno” (Gênesis 17:12-13).

OS GENTIOS E A EXIGÊNCIA DA CIRCUNCISÃO

Se os gentios realmente não precisassem desse sinal físico para se tornarem parte do povo separado pelo Senhor, não haveria razão para Deus exigir a circuncisão antes da vinda do Messias, mas não depois.

NENHUM SUPORTE PROFÉTICO PARA UMA MUDANÇA

Para que essa ideia fosse verdadeira, seria necessário que houvesse informações nesse sentido nas profecias, e Jesus teria que nos informar que essa mudança ocorreria após Sua ascensão. No entanto, não há nenhuma menção no Antigo Testamento sobre a inclusão dos gentios no povo de Deus que sugira que eles estariam isentos de qualquer mandamento, incluindo a circuncisão, simplesmente por não serem descendentes biológicos de Abraão.

DUAS RAZÕES COMUMENTE UTILIZADAS PARA NÃO OBEDECER A ESTE MANDAMENTO DE DEUS

PRIMEIRA RAZÃO:

AS IGREJAS ENSINAM ERRONEAMENTE QUE O MANDAMENTO DA CIRCUNCISÃO FOI CANCELADO

A primeira razão pela qual as igrejas ensinam que a lei de Deus sobre a circuncisão foi cancelada (sem especificar quem supostamente a cancelou) está na dificuldade de cumprir esse mandamento. Os líderes religiosos temem que, se aceitarem e ensinarem a verdade — que Deus nunca deu qualquer instrução para aboli-lo —, perderiam muitos membros.

De modo geral, este mandamento é, de fato, inconveniente de cumprir. Sempre foi e continua sendo. Mesmo com os avanços médicos, um cristão que decide obedecer a esse mandamento precisa encontrar um profissional, pagar do próprio bolso (já que a maioria dos planos de saúde não cobre o procedimento), passar pela cirurgia, lidar com os incômodos do pós-operatório e enfrentar o estigma social, além da oposição de familiares, amigos e da própria igreja.

TESTEMUNHO PESSOAL

Um homem precisa estar verdadeiramente determinado a obedecer a este mandamento do Senhor para levá-lo adiante; caso contrário, desistirá com facilidade. Há incentivo de sobra para abandonar esse caminho. Sei disso porque eu mesmo passei por isso aos 63 anos, quando fui circuncidado em obediência ao mandamento.

SEGUNDA RAZÃO:

FALTA DE COMPREENSÃO SOBRE DELEGAÇÃO OU AUTORIZAÇÃO DIVINA

A segunda razão, e certamente a principal, é que a igreja carece de uma compreensão adequada sobre delegação ou autorização divina. Esse equívoco foi explorado desde cedo pelo diabo, quando, apenas algumas décadas após a ascensão de Jesus, começaram as disputas por poder entre os líderes da igreja, culminando na conclusão absurda de que Deus teria delegado a Pedro e a seus supostos sucessores a autoridade para fazer qualquer alteração que desejassem na Lei de Deus.

Um grupo de israelitas na antiga Jerusalém conversando em uma rua escura segurando uma tocha.
Assim que Jesus retornou ao Pai, o diabo começou a influenciar os líderes da igreja para afastar os gentios dos mandamentos eternos de Deus.

Essa aberração se estendeu muito além da circuncisão, afetando muitos outros mandamentos do Antigo Testamento, os quais Jesus e Seus seguidores sempre obedeceram fielmente.

AUTORIDADE SOBRE A LEI DE DEUS

Inspirada pelo diabo, a igreja ignorou o fato de que qualquer delegação de autoridade sobre a santa Lei de Deus teria que vir diretamente do próprio Deus — seja através de Seus profetas no Antigo Testamento ou de Seu Messias.

É inconcebível que meros seres humanos se outorguem a autoridade para alterar algo tão precioso para Deus como Sua Lei. Nenhum profeta do Senhor, nem Jesus, jamais nos alertou que o Pai, após o Messias, concederia a qualquer grupo ou indivíduo, dentro ou fora da Bíblia, o poder ou a inspiração para anular, abolir, modificar ou atualizar sequer o menor de Seus mandamentos. Pelo contrário, o Senhor declarou explicitamente que isso seria um grave pecado: Nada acrescentem às palavras que eu lhes ordeno e delas nada retirem, mas guardem os mandamentos do Senhor, o seu Deus, que eu lhes ordeno” (Deuteronômio 4:2).

A PERDA DA INDIVIDUALIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS

A IGREJA COMO UM INTERMEDIÁRIO ENTRE O HOMEM E DEUS

Outro problema crítico é a perda da individualidade no relacionamento entre a criatura e o Criador. O papel da igreja nunca foi o de atuar como um intermediário entre Deus e o homem. No entanto, logo no início da era cristã, ela assumiu essa função.

Em vez de cada cristão, guiado pelo Espírito Santo, relacionar-se individualmente com o Pai e o Filho, as pessoas passaram a depender inteiramente de seus líderes para que lhes dissessem o que o Senhor permite ou proíbe.

ACESSO RESTRITO ÀS ESCRITURAS

Esse problema grave ocorreu, em grande parte, porque, até a Reforma do século XVI, o acesso às Escrituras era um privilégio reservado ao clero. Era expressamente proibido que o homem comum lesse a Bíblia por si mesmo, sob a justificativa de que ele seria incapaz de compreendê-la sem a interpretação clerical.

A INFLUÊNCIA DOS LÍDERES SOBRE O POVO

DEPENDÊNCIA DOS ENSINAMENTOS DOS LÍDERES

Cinco séculos se passaram, e apesar do acesso universal às Escrituras, as pessoas continuam a depender exclusivamente do que seus líderes ensinam — certo ou errado — permanecendo incapazes de aprender e agir independentemente em relação ao que Deus exige de cada indivíduo.

Os mesmos ensinamentos errôneos sobre os santos e eternos mandamentos de Deus, que existiam antes da Reforma, continuam sendo transmitidos através dos seminários de todas as denominações.

O ENSINO DE JESUS SOBRE A LEI

Até onde sei, não há uma única instituição cristã que ensine seus futuros líderes o que Jesus claramente ensinou: que nenhum mandamento de Deus perdeu sua validade após a vinda do Messias:

“Porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes menores mandamentos, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; mas aquele que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mateus 5:18-19).

OBEDIÊNCIA PARCIAL EM ALGUMAS DENOMINAÇÕES

ADESÃO SELETIVA AOS MANDAMENTOS DE DEUS

Algumas denominações se esforçam para ensinar que os mandamentos do Senhor são eternamente válidos e que nenhum escritor bíblico após o Messias escreveu contra esse entendimento. No entanto, por alguma razão misteriosa, elas limitam a lista de mandamentos válidos àqueles que outras igrejas decidiram declarar abolidos.

Essas denominações enfatizam os Dez Mandamentos (incluindo o sábado, o sétimo dia do quarto mandamento) e as leis dietéticas de Levítico 11, mas não vão além disso.

A INCONSISTÊNCIA DA SELETIVIDADE

O mais curioso é que essas seleções específicas não são acompanhadas por qualquer justificativa clara baseada no Antigo Testamento ou nos quatro Evangelhos que explique por que esses mandamentos em particular são obrigatórios, enquanto outros, como o uso do cabelo e barba, o tzitzit ou a circuncisão, não são mencionados ou defendidos.

Isso levanta a questão: se todos os mandamentos do Senhor são santos e justos, por que escolher obedecer a alguns e não a todos?

O PACTO ETERNO

A CIRCUNCISÃO COMO SINAL DO PACTO

A circuncisão é o comprovante físico do pacto eterno entre Deus e Seu povo, um grupo de seres humanos santos e separados do restante da população. Esse grupo sempre esteve aberto a todos e nunca foi limitado aos descendentes biológicos de Abraão, como alguns assumem.

Uma antiga pintura do artista Giovanni Bellini apresenta a circuncisão de Jesus, com José e Maria.
Uma pintura do século XV do artista Giovanni Bellini apresenta Jesus sendo circuncidado por rabinos, acompanhado por José e Maria.

Desde o momento em que Deus estabeleceu Abraão como o primeiro desse grupo, o Senhor instituiu a circuncisão como um sinal visível e eterno do pacto. Ficou claro que tanto seus descendentes naturais quanto aqueles que não pertenciam à sua linhagem precisariam desse sinal físico do pacto, caso desejassem fazer parte do Seu povo.

OS ESCRITOS DO APÓSTOLO PAULO COMO ARGUMENTO PARA NÃO OBEDECER ÀS LEIS ETERNAS DE DEUS

A INFLUÊNCIA DE MARCIÃO NO CÂNON BÍBLICO

Uma das primeiras tentativas de compilar os diversos escritos que surgiram após a ascensão de Cristo foi feita por Marcião (85 – 160 d.C.), um rico proprietário de navios do século II. Marcião era um seguidor fervoroso de Paulo, mas desprezava os judeus.

Sua Bíblia era composta principalmente pelos escritos de Paulo e por um evangelho próprio, que muitos consideram uma versão plagiada do Evangelho de Lucas. Marcião rejeitou todos os outros evangelhos e epístolas, descartando-os como não inspirados. Em sua Bíblia, todas as referências ao Antigo Testamento foram removidas, pois ele ensinava que o Deus anterior a Jesus não era o mesmo Deus proclamado por Paulo.

A Bíblia de Marcião foi rejeitada pela Igreja de Roma, e ele foi condenado como herege. No entanto, sua visão de que apenas os escritos do apóstolo Paulo eram inspirados por Deus, juntamente com sua rejeição de todo o Antigo Testamento e dos Evangelhos de Mateus, Marcos e João, já havia influenciado as crenças de muitos dos primeiros cristãos.

O PRIMEIRO CÂNON OFICIAL DA IGREJA CATÓLICA

O DESENVOLVIMENTO DO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO

O primeiro cânon do Novo Testamento foi oficialmente reconhecido no final do século IV, cerca de 350 anos depois que Jesus retornou ao Pai. Os concílios da Igreja Católica em Roma, Hipona (393) e Cartago (397), desempenharam um papel fundamental na definição dos 27 livros do Novo Testamento que conhecemos hoje.

Esses concílios foram essenciais para consolidar o cânon e enfrentar as diversas interpretações e textos que circulavam entre as comunidades cristãs.

O PAPEL DOS BISPOS DE ROMA NA FORMAÇÃO DA BÍBLIA

APROVAÇÃO E INCLUSÃO DAS CARTAS DE PAULO

As cartas de Paulo foram incluídas na coleção de escritos aprovados por Roma no século IV. Essa coleção, considerada sagrada pela Igreja Católica, foi chamada de Biblia Sacra em latim e Τὰ βιβλία τὰ ἅγια (ta biblia ta hagia) em grego.

Após séculos de debates sobre quais escritos deveriam compor o cânon oficial, os bispos da Igreja aprovaram e declararam como sagrados: o Antigo Testamento judaico, os quatro Evangelhos, o Livro de Atos (atribuído a Lucas), as epístolas às igrejas (incluindo as cartas de Paulo) e o Livro do Apocalipse, de João.

O USO DO ANTIGO TESTAMENTO NO TEMPO DE JESUS

É importante notar que, no tempo de Jesus, todos os judeus, incluindo o próprio Jesus, liam e referenciavam exclusivamente o Antigo Testamento em seus ensinamentos. Essa prática baseava-se predominantemente na versão grega do texto, conhecida como a Septuaginta, que havia sido compilada cerca de três séculos antes de Cristo.

O DESAFIO DE INTERPRETAR OS ESCRITOS DE PAULO

COMPLEXIDADE E MÁS INTERPRETAÇÕES

Os escritos de Paulo, assim como os de outros autores posteriores a Jesus, foram incorporados à Bíblia oficial aprovada pela Igreja há muitos séculos e, por isso, são considerados fundamentais para a fé cristã.

No entanto, o problema não está em Paulo, mas nas interpretações que fazem de seus escritos. Suas cartas foram escritas em um estilo complexo e difícil, um desafio já reconhecido em sua época (como observado em 2 Pedro 3:16), quando o contexto cultural e histórico ainda era familiar aos leitores. Interpretar esses textos séculos depois, em um contexto completamente diferente, torna essa dificuldade ainda maior.

A QUESTÃO DA AUTORIDADE E DAS INTERPRETAÇÕES

O PROBLEMA DA AUTORIDADE DE PAULO

A questão central não é a relevância dos escritos de Paulo, mas o princípio fundamental da autoridade e sua transferência. Como já explicado, a autoridade que a Igreja atribui a Paulo para cancelar, abolir, corrigir ou atualizar os santos e eternos mandamentos de Deus não é respaldada pelas Escrituras que o precederam. Portanto, essa autoridade não provém do Senhor.

Não há nenhuma profecia no Antigo Testamento ou nos Evangelhos indicando que, após o Messias, Deus enviaria um homem de Tarso a quem todos deveriam ouvir e seguir.

ALINHANDO AS INTERPRETAÇÕES COM O ANTIGO TESTAMENTO E OS EVANGELHOS

A NECESSIDADE DE CONSISTÊNCIA

Isso significa que qualquer compreensão ou interpretação dos escritos de Paulo está errada se não estiver alinhada com as revelações que o precederam. Portanto, um cristão que realmente teme a Deus e Sua Palavra deve rejeitar qualquer interpretação das epístolas — seja de Paulo ou de qualquer outro escritor — que não seja consistente com o que o Senhor revelou por meio de Seus profetas no Antigo Testamento e de Seu Messias, Jesus.

HUMILDADE NA INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS

O cristão deve ter a sabedoria e a humildade de dizer:
“Eu não entendo esta passagem, e as explicações que li são falsas porque não têm o respaldo dos profetas do Senhor e das palavras ditas por Jesus. Vou deixá-la de lado até que, se for da vontade do Senhor, Ele me esclareça.”

UM GRANDE TESTE PARA OS GENTIOS

UM TESTE DE OBEDIÊNCIA E FÉ

Isso pode ser considerado um dos testes mais significativos que o Senhor escolheu impor aos gentios, um teste análogo ao que o povo judeu enfrentou durante sua jornada rumo a Canaã. Como está escrito em Deuteronômio 8:2: “Lembra-te de como o Senhor, teu Deus, te conduziu por todo o caminho no deserto durante estes quarenta anos, para te humilhar e te pôr à prova, a fim de saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os Seus mandamentos.”

IDENTIFICANDO OS GENTIOS OBEDIENTES

Nesse contexto, o Senhor busca identificar quais gentios estão verdadeiramente dispostos a se unir ao Seu povo santo. São aqueles que decidem obedecer a todos os mandamentos, incluindo a circuncisão, apesar da intensa pressão da igreja e das inúmeras passagens nas cartas às igrejas que aparentemente sugerem que vários mandamentos — descritos como eternos nos profetas e nos Evangelhos — foram revogados para os gentios.

A CIRCUNCISÃO DA CARNE E DO CORAÇÃO

UMA ÚNICA CIRCUNCISÃO: FÍSICA E ESPIRITUAL

É importante esclarecer que não existem dois tipos de circuncisão, mas apenas um: o físico. Deveria ser evidente para todos que a expressão “circuncisão do coração”, usada ao longo da Bíblia, é puramente figurativa, assim como “coração quebrantado” ou “coração alegre”.

Quando a Bíblia afirma que alguém é “incircunciso de coração”, isso simplesmente significa que a pessoa não está vivendo como deveria, como alguém que realmente ama a Deus e está disposto a obedecê-Lo.

EXEMPLOS DAS ESCRITURAS

Em outras palavras, esse homem pode ter sido fisicamente circuncidado, mas seu modo de vida não está alinhado com a vida que Deus espera de Seu povo. Por meio do profeta Jeremias, Deus declarou que toda a nação de Israel estava em um estado de “incircuncisão de coração”:

“Pois todas as nações são incircuncisas, e toda a casa de Israel é incircuncisa de coração” (Jeremias 9:26).

É evidente que todos eram fisicamente circuncidados, mas, ao se afastarem de Deus e abandonarem Sua santa Lei, foram julgados como incircuncisos de coração.

A NECESSIDADE DA CIRCUNCISÃO FÍSICA E DO CORAÇÃO

Todos os filhos homens de Deus, sejam judeus ou gentios, devem ser circuncidados — não apenas fisicamente, mas também de coração. Isso fica claro nestas palavras diretas:

“Assim diz o Soberano Senhor: Nenhum gentio, entre os filhos de Israel ou entre os que vivem no meio deles, entrará no meu santuário, a menos que seja circuncidado no corpo e no coração” (Ezequiel 44:9).

PRINCIPAIS CONCLUSÕES

  1. O conceito de circuncisão do coração sempre existiu e não foi introduzido no Novo Testamento como uma substituição da verdadeira circuncisão física.
  2. A circuncisão é exigida de todos os que fazem parte do povo de Deus, sejam judeus ou gentios.

CIRCUNCISÃO E O BATISMO NAS ÁGUAS

UMA SUBSTITUIÇÃO FALSA

Alguns acreditam erroneamente que o batismo nas águas foi instituído para os cristãos como um substituto da circuncisão. No entanto, essa afirmação é uma invenção puramente humana, uma tentativa de evitar a obediência ao mandamento do Senhor.

Se tal alegação fosse verdadeira, esperaríamos encontrar passagens nos profetas ou nos Evangelhos indicando que, após a ascensão do Messias, Deus não exigiria mais a circuncisão dos gentios que desejassem se unir ao Seu povo e que o batismo tomaria seu lugar. No entanto, tais passagens simplesmente não existem.

A ORIGEM DO BATISMO NAS ÁGUAS

Além disso, é importante notar que o batismo nas águas antecede o cristianismo. João Batista não foi o “inventor” nem o “pioneiro” do batismo.

AS ORIGENS JUDAICAS DO BATISMO (MIKVEH)

O MIKVEH COMO RITUAL DE PURIFICAÇÃO

O batismo, ou mikveh, já era um ritual bem estabelecido de imersão entre os judeus muito antes da época de João Batista. O mikveh simbolizava a purificação do pecado e da impureza ritual.

Uma antiga e rústica mikvah de tijolo e pedra na Alemanha.
Uma antiga mikveh usada para purificação ritual pelos judeus, localizada na cidade de Worms, Alemanha.

Quando um gentio era circuncidado, ele também passava por um mikveh. Esse ato não apenas servia para purificação ritual, mas também simbolizava a morte — sendo “enterrado” na água — de sua antiga vida pagã. Emergir da água, semelhante ao fluido amniótico do ventre materno, simbolizava seu renascimento para uma nova vida como judeu.

JOÃO BATISTA E O MIKVEH

João Batista não estava criando um novo ritual, mas dando um novo significado a um já existente. Em vez de apenas os gentios “morrerem” para suas vidas antigas e “renascerem” como judeus, João chamava também os judeus que viviam em pecado a “morrer” e “renascer” em um ato de arrependimento.

No entanto, essa imersão não era necessariamente um evento único. Os judeus se imergiam sempre que se tornavam ritualmente impuros, como antes de entrar no Templo. Eles também costumavam — e ainda fazem até hoje — realizar a imersão no Yom Kipur como um ato de arrependimento.

DISTINGUINDO BATISMO E CIRCUNCISÃO

FUNÇÕES DISTINTAS DOS RITUAIS

A ideia de que o batismo substituiu a circuncisão não tem apoio nem nas Escrituras nem na prática histórica judaica. Embora o batismo (mikveh) tenha sido e continue sendo um símbolo significativo de arrependimento e purificação, ele nunca teve a intenção de substituir a circuncisão, que é o sinal eterno do pacto de Deus.

Ambos os rituais possuem propósitos e significados distintos, e um não anula o outro.